As férias e o descontrole

Férias aqui em casa sempre significaram menos posts no blog e isso é fato. Eu entendo muito as pessoas com autismo e sua necessidade de rotina, pois como tenho transtorno do déficit de atenção, eu também preciso muito de estrutura ou me desorganizo completamente. Sinto Milena se esforçando muito o dia todo, tentando arrancar de mim o que vem a seguir, o que vamos fazer amanhã e se negando a sair de casa para passeios que qualquer outra criança adoraria, mas que ela evita pelo caos, barulho e surpresas.

Não ter um horário a seguir para muitos pode ser libertador, para outros porém pode significar desorientação como é o meu caso. Eu simplesmente me perco no horário! Como não tenho um compromisso, vejo um buraquinho na parede e lá vou eu ficar horas tapando o buraquinho, o que acaba me convidando a procurar por outros, aí me lembro de que tenho de dependurar o quadro que está no quarto e quando vejo meu dia simplesmente acabou e eu não fiz nada, nem mesmo descansei.

Com a Milena por perto eu sou interrompida o tempo todo ou pela solicitação de atenção ou pelo meu próprio radar materno que me faz ficar ligada o tempo inteiro no que jeito que ela está usando o tempo. Então eu quero que ela venha me ajudar, mas daí eu preciso estruturar a coisa para ela entender e se engajar… viram só a confusão???

Para uma dona de casa isso é péssimo! Para mim, uma catástrofe!!! Eu tenho que estar em um ambiente organizado então no final fica mais ou menos assim:

Levanta, pega o prego e o martelo para furar a parede…não furou? Pega a furadeira, prepara a Milena para o barulho, pensa em algo para ela fazer durante este tempo, ela não quer mas as coisas estão todas te esperando e você não quer desistir. Começa a brincar com ela e quando ela finalmente está engajada você avisa que vai ali rapidinho… mede tudo, marca, fura, limpa, pendura o quadro, vai até a Milena e avisa que o barulho acabou, dá um pouco mais de atenção e volta para guardar a furadeira, os pregos, o martelo, os panos e ufa… foi-se a manhã e você só pendurou um quadro na parede…

Entre tudo isso tem detalhes como ter que fixar  o ganchinho que segura o quadro na parede… aí você finalmente consegue e quando vira o quadro vê que pregou do lado errado (musiquinha de frustração aqui) e daí tem o trabalho de retirar o negocinho e depois medir de novo, marcar de novo, parafusar de novo, mas agora do lado certo…

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UFA!!! Uma imensa colcha de retalhos de momentos assim compõem as minhas férias e um sentimento de frustração me invade e não me deixa simplesmente curtir e relaxar. Eu sei, minha culpa, minha máxima culpa! Por isso eu preciso viajar de vez em quando, somente eu e meu amor para poder realmente relaxar um pouco. Sem isso acho que infantaria em pouco tempo viu?

Sei lá, mas tem hora que eu penso que ninguém, infelizmente, conseguirá entender o quanto estamos o tempo conectadas aos nossos filhos com necessidades especiais. Mãe é instinto e o tal instinto nos mantém alertas até quando dormimos, eleva este instinto à enésima potência quando seu filho tem algum tipo de dificuldade ou deficiência. Chamem de excesso, exagero ou super proteção, rotulem como quiser, mas no fim das contas é assim que somos, um bando de malucas se descabelando pelos filhos…

Vou me despedindo porque meu “beija-flor” em forma de mocinha já veio aqui três vezes me solicitar : ] BEIJOS!!! Sua visita me deixa muito honrada.

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