Será que meu filho tem autismo? Ele é tão carinhoso!!!

Antes de começar este post quero apenas dizer brevemente que as aulas começaram em Londres, Milena está se adaptando muito bem, mesmo sem falar a língua e com todas as enormes diferenças de ambiente. Quando aceitamos a proposta de transferência, a gente tinha um frio na barriga, afinal, estávamos escolhendo por ela, era uma oportunidade profissional que iria interferir no futuro da nossa filha. Com tudo o que a gente precisava considerar a gente sempre seguiu na expectativa de que poderia sem bem difícil, acreditando no melhor mas também nos preparando para os desafios. Mas mais uma vez a força de todo o investimento que fizemos estes anos todos se fez valer. E não me refiro a dinheiro não… embora a gente tenha gastado muito… me refiro a todo o envolvimento e toda a crença, tudo que mudamos e tudo que abrimos mão, o que ensinamos, o que corrigimos e todos os resultados que a gente não via com tanta clareza o tempo todo.

Eu fico devendo um post sobre a escola, mas vou esperar ter mais informação para trazer e compartilhar aqui no Mundo da Mi.

Vamos ao tema deste post, esta pergunta recorrente nos grupos de discussão, palestras, email’s que troco com mães e pais e conversas que tenho tido ao longo destes anos em meu trabalho voluntário. “Não tenho certeza se meu filho tem autismo, ele parece tão normal, ele abraça e beija, diz que me ama e é tão carinhoso e tão inteligente.”

De uma vez por todas (até parece) a criança com autismo abraça sim, e beija e faz gracinha e pode sim ser muito inteligente e fazer um tanto de coisas de forma independente sem que ninguém tenha ensinado. Sinto te dizer mas nada disso exclui a possibilidade do seu filho ter autismo.

Além do mais é importante lembrar que uma coisa é o autismo, a outra a pessoa.

Tem gente que tem autismo e é tímido; Tem gente que tem autismo e é desinibido; Tem criança com autismo é manhosa e outra que é dócil e amável, e também tem as educadas, as mal educadas,as irritadas, as calmas…

Isso porque antes de ter autismo a pessoa tem personalidade e a expressão da personalidade não está alterada.

O que está alterado é o desenvolvimento desta criança. Ela vai absorver informações do mundo através do que ela faz, do que ela ouve, do que ela observa. Acontece que o jeito que toda essa informação chega vai construir significados. Exemplo: A criança vê outra criança dando birra e observa: a reação da mãe, o jeito que a mãe fica brava,  a criança birrenta e como ela se comporta, ela memoriza muitos detalhes e fica processando esta cena e aprendendo dela sem que ninguém à sua volta se dê conta disso.

Uma criança com autismo pode ver a mesma cena e prestar atenção no brinquedo que está dependurado na cadeira ao lado, ou no vestido da mãe da criança birrenta que se balança enquanto ela repreende o filho. Ela vai perder as interações e vai aprender muito pouco sobre crianças birrentas e mães irritadas.

O que a criança com autismo vai perder com isso? Ela vai deixar de construir o repertório para seu próprio comportamento em público, deixar de aprender sobre expressão de frustração, por exemplo e suas consequências.

A criança com autismo vai se comportar diferente da maioria das crianças de sua idade em muitas situações, porque não tem a necessidade da aprovação que todos nós temos ou porque não apreendeu do mundo as informações padrão a que estamos acostumados ou ainda porque o jeito dela comunicar o que pensa e o que sente seja muito diferente.

Mas ela vai sim, se for carinhosa, abraçar, beijar, brincar, como outra criança qualquer.

Por isso se você está investigando se seu filho tem autismo, se informe muito, e quanto mais melhor. Muita coisa que você vai ler pode não ter nenhuma relação com seu filho mas faça a si mesma a seguinte pergunta:

  • Se comparado a outras crianças de sua idade meu filho é MUITO diferente delas?

Se a resposta for sim é sinal de que uma luz de alerta deve ser ligada e você precisa investigar. E saiba que:

Nem todo médico especialista vai te dar o diagnóstico correto.

Nem todas as pessoas da sua família irão apoiar sua suspeita.

Você vai duvidar muitas vezes de sua própria desconfiança ou vai achar que é só uma fase, que são só manias e que é melhor esperar um pouco mais.

E você também pode negar e como muitas pessoas (muitas mesmo) e seguir com sua vida. E quando alguém disser alguma coisa sobre o comportamento diferente ou a dificuldade do seu filho você vai fechar a cara, mudar de escola, se afastar de todos, porque você lá dentro, ainda não aceitou perder o filho que idealizou para sim mesmo.

Sabe, houve uma época que eu realmente precisei do diagnóstico e corri muito até conseguir, investi o que tinha para confirmar minha suspeita de autismo, pois tudo o que me diziam é que era um tal de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento – TID –  que não me respondia quase nada. E eu precisei porque eu via minha filha sendo tão diferente dos outros bebês e ela não tinha nem um ano de idade. Eu precisava saber se era “só” autismo ou se alguma coisa muito ruim estava acontecendo com ela a ponto de impedir que ela ficasse comigo nesta vida.

Por isso foram meses e meses de pura angústia! No grupo do tal – TID – tinha um nome que me assombrava: “transtorno desintegrativo da infância” e eu realmente tinha pesadelos com isso (e eu nem sei o que significa até hoje). Quando veio o diagnóstico para o qual eu já tinha minha certeza eu fiquei aliviada. Era um nome para o problema e agora era buscar informação e lidar com ele. Uma coisa eu sabia, minha filha não era o problema, minha filha não era o autismo. E isso foi salvador para nós: sempre soubemos colocar o autismo no lugar dele, sabendo olhar a criança que estava ali e de quem nos orgulhamos mais a cada dia.

Eu acho que este post desabafo ficou meio sem sentido no fim das contas. Eu não tive tempo para editar ou corrigir, não vou colocar muitas imagens e nem me preocupar demais. Quero que ele chegue ao seu coração mãe, pai, familiar.

Deixo aqui o meu carinho, porque eu sei que vocês irão vencer o rótulo e que o amor vai falar muito mais alto e que essa criança se tornará fonte de aprendizado, transformação e alegria na vida de vocês! Coragem, muita coisa boa está por vir, respira e segue.

Um abraço carinhoso!

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9 Comentários

  • Responder Juliana 11 de setembro de 2015 at 17:21

    Oi Cris, q felicidade a Milena estar indo bem na escola, isso vai ser de grande valia para o futuro dela, estou enviando e-mail, espero q vc tenha um tempinho de ler! grande beijo!

    • Responder faustacristina 13 de setembro de 2015 at 14:47

      Oi Juliana

      Já respondi viu?
      Obrigada pelo carinho.
      Beijo

  • Responder Maluisa 15 de outubro de 2015 at 15:48

    Bom dia Fausta Cristina! Adorei o texto, simples e direto. Vou passar para uma mãe, lógico vou correr o risco de levar um “vc é doida Malu…meu filho é normal”…Não é oq vejo assim como outros profissionais que trabalham com crianças autistas.
    Bjs

    • Responder faustacristina 16 de outubro de 2015 at 14:06

      Bom dia Malu

      Que bom que gostou do texto. Eu já me arrisquei uma vez em alertar uma família, mas percebi que cada um tem seu tempo. A gente lamenta que muitas vezes, muitas mesmo (principalmente nos casos leves) há uma negação que faz perder tempo e torna a vida da criança mais difícil pois ela acaba sendo exigida do mesmo jeito sem ter os instrumentos para agir igual… mas a gente realmente tem que acolher também essa mãe e esse pai que não aceitam. Cresceram sendo alimentados por valores e agora não dão conta de arcar com o peso do diagnóstico. Eu absolutamente não os julgo, mas lamento profundamente. Boa sorte para você! Que sua intenção fique clara para essa mãe. Um abraço.

  • Responder Larissa Santos 6 de julho de 2016 at 18:11

    Olá! Venho acompanhando diversos relatos e blogs e grupos… minha filha tem 4 anos e ate agora so temos TGD (Transtorno de Desenvolvimento Global) e mesmo estando com geneticista para investigação genetica, tenho observado muitos aspectos de TEA nela, mas caio naquela: sera que estou sendo influyencia por tudo que leio/vejo? porque nenhum medico sugeriu Autismo? ASsperger? Enfim, perdida feito cega em tiroteio… É muito ruim e parece ser uma batalha solitaria… mil bjs e bjs na Mi! ps: morei 5 anos em Leicester! Sinto saudades…

    • Responder Fausta Cristina 11 de julho de 2016 at 21:12

      OI LARISSA
      Com a Milena foi assim também, a médica me explicou na época que o autismo é um transtorno global do desenvolvimento, eles não são sinônimos, mas é como seu eu dissesse que banana é fruta… Não me ajudou muito na época, pois muitos médicos tratavam o autismo como TGD e outros não. Esta historia do diagnóstico é sempre muito sofrida e confusa e na minha experiência quando a criança tem sintomas mais leves, que não dão segurança para o médico fechar o diagnostico eles dão este nome do grande grupo.
      Você deve notar coisas em comum, claro. Já que o autismo é como eu disse, um TGD (hoje em dia é suado o termo TEA- transtorno do espectro do autismo).
      A grande diferença de quando a criança tem “apenas” um atraso no desenvolvimento dos quadros de autismo, é a interação social. São crianças que buscam interação, buscam compartilhar, procuram as outras crianças da mesma idade. Elas podem apresentar vários sinais que crianças com autismo apresentam, mas são crianças que buscam aprovação, que buscam o olhar dos pais, trocam olhares significativos, entendem expressões faciais e se comunicam bem. Crianças com autismo também fazem tudo isso, mas com dificuldade, fazem mas de forma diferente.
      Não é fácil de explicar, mas eu espero ter acrescentado algo. Observe o quando seu filho compartilha e o quanto ele alterna papeis em brincadeiras, se ele brinca com brinquedos como as outras crianças, se ele usa bastante a imitação nas brincadeiras (finge ser motorista e imita alguém que ele viu no volante, finge ser o papai e imita o pai), veja se ele começa um diálogo com uma criança da mesma idade, se ele busca as crianças para interagir e vá tomando nota dessas observações. Procure médicos com experiência em diagnostico de autismo e vá a luta.
      Nada pior do que esta incerteza.
      Te desejo sorte e pode contar comigo se quiser.
      Um abraço!!!

  • Responder Daniela 12 de agosto de 2016 at 00:59

    Boa noite,meu filho tem 9 anos, tem atraso no desenvolvimento, teve convulsoes qdo bebe, passamos por inumeros profissionais e exames sem diagnosyifos precisos, mesmo com o autismo descartado tenho um forte pressentimento, ele e uma crianca super carinhosa mas muito diferente, inclusive com grande atraso na linguagem, dificuldade de processamento sensorial e movimentos repetitivos, o que posso fazer para ajuda_lo?depois de tantos medicos e todas as terapias que ele faz como ter certeza?

    • Responder Fausta Cristina 12 de setembro de 2016 at 22:20

      Dani
      Eu tirei férias e fiquei sem acessar os comentários, me desculpe.
      Vamos conversar? Me manda um email e combinamos. (fausta.cris@gmail.com)

  • Responder Maria flor 29 de dezembro de 2016 at 16:13

    Minha filha tem 2anos e 8 meses, ainda nao fala direito. Fala varias palavras, forma poucas frases. Tem movimentos repetitivos, e bem carinhosa, gosta de bricar c outras criancas. E bem esperta entende tudo q falo. Nao gosta de sair da rotina, qdo acontece chora muito. Chora por qualquer motivo. Ela tem varias caracterisca de autismo mas ainda nao deram diagnóstico. A fonoaudióloga dela disse q suspeita. Na escolinha q frequenta tbm estao suspeitando. Tbm fico na duvida sera msm ela e tao esperta e observadora.

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