8 anos, Comportamento, Família, Rotina

Cidade nova

É bem difícil descrever as emoções deste momento da minha vida. A grande expectativa em relação à mudança de cidade… fechamento de ciclo… recomeço. Não há nada para reclamar, são muitas as dádivas! O que se lamenta é a distância física de amigos, familiares e lugares que convivo, gosto e conheço. Carrego comigo aquele pesar que cantamos em Epitáfio (Titãs) Devia ter amado mais… Este Devia Ter fica ecoando na minha mente quando me despeço das pessoas queridas ao meu deviatercoração, dá uma vontade de ter mais tempo!

Aproveitar o tempo com os amigos, com as pessoas que me fazem bem, já deveria ser uma lição aprendida e esta ansiedade já deveria estar superada, pois é a minha 19ª mudança, Porto Alegre será a 9ª cidade que moro. Para a Milena é a terceira mudança de casa e de cidade, mas está sendo a primeira vez que ela dá sinais de que vai sentir falta das pessoas e lugares.

Pela primeira vez o conceito CIDADE fica claro para ela, pois como vocês sabem, conceitos abstratos são complicados para a cabecinha de uma criança com Autismo (para as típicas também, porém superam rápido esta dificuldade).

Milena me acompanha nesta… instabilidade e cada vez mais fica claro o quanto o meu estado emocional influencia o seu comportamento. Quanto mais calma eu estou mais consigo me comunicar com ela e quando tenho mil coisas a fazer ela “empaca”, dá birra, resiste. Fica parecendo que estou diante de um espelho, só que nem sempre reconhecer isso é suficiente.

Milena e suas perguntas

Foi assim em Porto Alegre na semana que ficamos escolhendo o apartamento que vamos morar. Ela ficou muito agitada, queria conversar com todo mundo, arrumou uma agenda e uma caneta e ficava perguntando as coisas para os proprietários, funcionários, para quem estivesse perto e fingia que anotava as coisas que eram ditas. Permaneceu assim conversando com todo mundo, durante os vôos, nos aeroportos, shopping, táxi, trem… Quando o dia terminava eu estava exausta, exaurida de toda a energia. Foi muito ruim ter que explicar para todo mundo a toda hora que se tratava de uma criança especial. Pois é sempre assim: ela pergunta algo a pessoa quando entende responde e quer logo desenvolver um diálogo e ela segue perguntando, muitas vezes é indiscreta… Aí eu tenho que explicar e me preparar para ouvir o que a pessoa tem a dizer.

É como se eu tivesse que estar aberta ao diálogo permanentemente. Explicar é uma quase obrigação. Das duas uma, ou eu fico o tempo todo desviando a atenção dela, ou explico para a pessoa o que se passa e fico traduzindo Milena para o mundo e o mundo para a curiosa e insistente Milena.

Espelho emocional

Eu sei que ela está descompensada pelo turbilhão de novidades na sua vidinha. Eu sei que eu preciso me centrar para ir traduzindo para ela tudo o que ela está sentindo, pois quando faço isso ela cresce, melhora um pouco de imediato e melhora muito mais posteriormente. Parece que ao dizer a ela tudo o que está acontecendo (o que pra nós é mais que óbvio), ela consegue se organizar. Mas para fazer isso eu preciso estar centrada.

Na verdade eu tô mesmo é parecendo cego em tiroteio…

Cachorro caído do caminhão de mudança…

Serei avó

Para quem ainda não sabe eu vou ser avó! Milena será titia e entender que a irmã vai ter um bebê tem sido um grande, big, ultra, desafio para todos nós.

Eu me sinto bem autista diante de tanta novidade. Dá aquela vontade de me isolar até que tudo se ajeite no conforto da rotina, aquela previsibilidade relativa das agendas. A diferença é que nós que tivemos um desenvolvimento típico podemos reconhecer nossos limites e nos organizar para enfrentar o que vem. As pessoas com Autismo se sentem assim a maior parte do tempo, porém, elas não tem a capacidade de modular medo, ansiedade, frustração. Deve ser muito complicado lidar com este turbilhão de emoções e mais que justifica a agitação tão comum da minha filhota.

Falta de rotina

mudacasa2

Mesmo depois que voltamos de PoA ela segue agitada e nervosa, tenho que mantê-la ocupada o tempo todo. É muito estranho estar por aqui sem a rotina da escola e das tantas terapias e atividades que ela está acostumada. Como não tem interesse por televisão e muito pouco por brinquedos a gente tem que arrumar o que fazer o tempo todo e sempre está grudada na mãe, um verdadeiro carrapato. Onde eu estou lá está a garotinha falando e perguntando sem parar.

Vamos permanecer na correria da mudança e sempre que possível venho aqui contar como é que estamos…

Beijim procês!

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