A chegada de Bruna

acegonhaEstivemos fora de casa desde o feriado, fomos acompanhar o nascimento da minha neta, sobrinha da Milena. Quem acompanha este blog sabe o quanto a irmã é importante para Milena e sabíamos que todo este novo cenário com gravidez, parto e uma nova pessoa surgindo na família trariam um grande impacto em suas emoções.

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Ainda bem, que a natureza sábia nos deu 40 semanas para preparar nossa pequena e acho que fizemos um bom trabalho. O fato de nos distanciarmos da Thamires ao nos mudarmos para tão longe, amorteceu o impacto de ter que dividir o afeto da irmã com outra pessoa, mas como uma criança nem sempre (ou seria quase nunca?) nos deixa perceber a real dimensão do impacto dos fatos em seu emocional, devemos estar atentos para continuar a ajudar Milena a processar tudo isso.

Quem de nós adultos mais maduros não nos lembramos de alguma situação em que todos os adultos falavam por nós dizendo que estava tudo bem com a gente e por dentro sentíamos medo ou pavor, tristeza e solidão e ninguém parecia entender? Quando pergunto a adultos sobre suas crianças diante de um fato como a morte de alguém querido ou o nascimento de um irmãozinho, invariavelmente me respondem que as crianças estão bem, na maioria das vezes, não estão (olhar de psicopedagoga…).

Precisamos dividir nossas emoções com as crianças. Falar sobre ciúmes, por exemplo, como nos faz sentir, contar sobre como reagimos quando éramos criança. Isso faz uma diferença muito grande e oferece para aquele serzinho que sente algo totalmente novo, elementos para lidar com a situação.

Bruna nasceu linda, com mais de quatro quilos e muito atenta. Os médicos comentavam na sala de parto o quanto um bebê que passa pelo trabalho de parto (não foi um parto com data marcada) apresenta melhor os sinais de desenvolvimento como reflexos e olhar. É claro, fiquei muito feliz, pois todas as antenas estão ligadas quando recebemos um novo bebê depois do Autismo.

Slide001Milena recebeu autorização para entrar no hospital, pois explicamos para a médica sua condição. Ela pôde estar com a Tatá na consulta do pré parto, acompanhou a espera, despediu-se na saída de maca para o centro cirúrgico e foi ao berçário conhecer o bebê, mas seu foco o tempo todo era a Tatá, ver se ela estava bem, colocar a mão no ouvido quando via o soro, quando a viu tremer após voltar para o quarto sob efeito da anestesia. Perguntava o tempo todo se a irmã estava bem e ficou muito diferente, agitada antes de irmos ao hospital, quieta durante e depois do parto.

Sei que ela sofreu muito, que lidou com emoções difíceis e intensas e eu só pude dar suporte, explicar e não perder a atenção sobre ela para medir suas reações e intervir quando necessário. Ao mesmo tempo tive que dar suporte para minha filha que vivia a experiência única da maternidade aos dezenove anos, receber com amor a Bruna para que se sentisse acolhida e também cuidar de mim, mantendo a serenidade que amortece o impacto desta revolução de acontecimentos novos.

Eu sou muito grata a Deus pelo milagre deste nascimento e sei que Ele continuará nos dando o suporte para encaminharmos as coisas ao seu devido lugar, pois tudo o que podemos desejar é que cada indivíduo consiga definir o seu espaço e atuar Slide0004bem nele, não invadindo o espaço do outro nem se ausentando dele. Deixando claro o seu apoio e seu respeito. Simples assim.

Eu continuo torcendo para que minha Milena entenda o que está acontecendo. De volta a Porto Alegre, ela fica assistindo a um vídeo que fizemos onde a Tatá conversa com a Bruna com o mesmo carinho que sempre teve com Milena e ela me pergunta: -Tatá é mamãe? E logo depois: -ela é minha irmã? Ontem, de surpreendemos ela chorando por duas vezes, expliquei de novo o que é saudade, expliquei sobre o ciúme e reafirmei dezenas de vezes que a Tatá continua a amá-la muito. Mostrei os filmes em que eu conversava com ela ainda bebê para que perceba que também ela foi alvo desta atenção dada a um recém nascido e, sobretudo o quanto ela é amada por todos nós.

Infelizmente isso é tudo o que posso fazer por ela, mas quero crer que isto é suficiente para que minha filha consiga acomodar estes novos sentimentos e acolha a linda Bruna em seu coraçãozinho tão especial.

Beijos!

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Brunamensagem

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