Montanha-russa.
3 anos, Desenvolvimento atípico, Diagnóstico, Reflexões

Subidas e descidas

jogacoracoesAh essa montanha-russa! Descidas vertiginosas que nos enchem de medo. Subidas aceleradas que nos trazem expectativas.

Quando eu comecei minha constatação de que havia algo errado com minha menina, ela era apenas um bebê, mas o fato dela não olhar era marcante demais. Apesar de todos dizerem que era normal, que era uma fase, que eu estava vendo coisas que não existia eu sabia e me angustiava. Entretanto, por mais que essa certeza persistisse eu me animava muito com cada progresso da minha pequena e achava que tudo ia passar.

Quando a desconfiança de que ela era autista surgiu (fui a primeira a desconfiar antes que ela completasse oito meses) eu comecei a “devorar” tudo sobre o assunto na internet. Cada vez que eu lia as descrições técnicas eu pensava: não é. Cada vez que aparecia um sintoma evidente eu deduzia: é. Assim segui na montanha-russa, numa desinformação “informada”. Achava que o Autismo era aquela lista de sintomas fixos, imutável. Por isso, a cada conquista eu achava que ficava pra trás tudo o que tinha acontecido até então. Achava que perseguia o tratamento, mas intimamente eu perseguia a cura. Eu tinha esperanças e expectativas de que chegaria um momento que tudo pertenceria ao passado e que minha filha iria superar todas as suas dificuldades e que aquele pesadelo teria fim. De certa forma, eu tinha razão.

Hoje o pesadelo passou. Quando Milena está passando por uma fase com mais sintomas, mais irritação, mais estereotipias – como agora – eu não me deprimo. Da mesma forma, quando ela começa um novo ciclo de desenvolvimento eu não me iludo mais de que tudo passou. Me delicio com as conquistas, me concentro nas dificuldades para aprender e agir com correção.

Evitando a depressão

A aprendizagem continua célere. Como lidar com as cenas em público? Como lidar com os olhares e as expressões preconceituosas, como ver minha pequena num grupo de crianças, pulando alegre por vê-los numa euforia até bonita, mas sem conseguir se integrar às brincadeiras? Preciso aprender a não me iludir quando ouço dos médicos, da escola, dos terapeutas, sequencialmente, sobre os incríveis progressos da Milena. Preciso aprender a, mesmo quando feliz, me resguardar de pensar que “tudo passou” para evitar a depressão vivida tantas vezes e me alegrar na medida certa. Sem deixar de ver lá na frente o quanto ainda é preciso conquistar.

Tudo isso a gente aprende, tudo se supera.

nm_ani024É claro que fica uma tristeza por algo que perdemos sem ter chegado a possuir. Mas a alegria de ter agido na hora certa, de ter feito tudo que possível fazer, supera a tristeza e nos traz o necessário incentivo para seguir buscando novas conquistas.

Que Deus ilumine cada pessoa que ler estas linhas, guarde minha gratidão e meu carinho.

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