16 anos

Mais um Abril


*Use fones de ouvido para escutar melhor o áudio.

Dia 02 de abril chegando, Dia Mundial da Conscientização do Autismo, e as vozes voltam a gritar por atendimento, entendimento, inclusão e respeito. Mas, afinal, já não se fala o suficiente? É mesmo preciso bater tanto nesta tecla? Será que não existe um certo exagero, um modismo de Autismo por aí?

Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo em Porto Alegre, 2012.

Pois bem, para quem lida com a realidade de ter um filho no chamado Espectro Autista, que basicamente já indica que existem tipos diferentes do mesmo transtorno, quem convive diariamente reconhece que ainda se sabe pouco e que a sociedade em geral está bem carente de informação e acolhe pouco ou quase nada essa pessoa que é geralmente bonita, com aparência de saúde plena, inteligência preservada (que de fato é isso mesmo) mas que, diante dessas evidências, não encontram justificativas para um comportamento inadequado ou fora do padrão.

Por isso o autista sofre muito mais bullying, discriminação e incompreensão que as pessoas que trazem uma dificuldade física, motora ou evidente. Não é difícil ouvirmos que estamos nos vitimizando quando buscamos informar, que estamos distorcendo quando justificamos e mesmo dentro de algumas famílias crianças sofrem uma exclusão injusta e cruel.

Há pouco tempo uma mãe em prantos me contou ser apontada como responsável por seu filho de três anos não falar. Mima demais, disseram os parentes e na festa de família o tio determinou que só entrava nas brincadeiras, crianças que falassem… Como se fosse uma escolha daquela criancinha não conseguir pronunciar seus desejos.

Temos assim tantas pessoas sofrendo por não verem sua estereotipia (gestos, maneirismos sem função evidente que servem para regular emoções) compreendida, por não serem aceitos como sujeitos capazes, por serem tratados com infantilidade ou simplesmente não serem ouvidos, nem vistos como pessoas que são.

Temos no mundo todo, tanto exemplo de autistas que conseguiram conquistar posições de destaque, que contribuíram com seu talento, que deram voz ao Autismo e a duras penas se tornaram independentes e autônomos. Se tantos conseguiram, muitos outros podem também, mas seria bem mais fácil se as pessoas de fato acolhessem mais o diferente e parassem com tantos modelos e tantos padrões.

Este será o nosso 16º abril azul e creia, a cada ano vemos crescer entendimento, mas ainda não dá pra descansar. Junte sua voz à nossa, vista azul, caminhe, fale quando der e entenda quando vir alguém se balançando ou uma criança gritando como quem dá birra e que só precisa de tempo para se organizar. Sua busca de informação por si só muda vidas, ajuda, agrega, soma.

Que sejamos mais justos e fraternos para que no futuro, estas datas sirvam como memória de que um dia, nós precisamos de um dia no calendário para nos lembrar que ser gente é ser diverso e que diferente mesmo é o mundo que queremos.

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