16 anos

Com quem você ombreia


*Use fones de ouvido para escutar melhor o áudio.

Sim, ombro a ombro a gente segue caminhando. Na jornada da vida o que mais encanta são os acréscimos… As perdas ficam guardadas lá no armário das dores, mas os acréscimos seguem conosco. Vez ou outra neste caminho você olha para o lado e se inspira, outras vezes você estende a mão para amparar, acontece também com certa frequência de você estender a mão e encontrar outra mão esperando pra te apoiar ou te guiar.

Nesta estrada da maternidade atípica, ou no terreno comum de ser responsável por alguém que não está conseguindo se conduzir sozinho, tenho encontrado tanto apoio e tenho me acrescido de tantas histórias fantásticas que não há mais nada a fazer senão partilhar e ser grata.

13 anos de histórias

Há alguns anos, uma mãe me chamou em segredo. Ela andava desconfiada que seu bebê tinha Autismo, mas todas as pessoas achavam que ela estava com depressão, que estava vendo o que não existia. Porém, quando o Autismo se confirmou, ela se agigantou como uma águia para proteger o seu amor. Logo depois, esta mesma mãe compartilhou comigo a difícil decisão de ter outro filho ou não. Fui expectadora do nascimento, peguei na sua mão – ainda que virtualmente – por toda a gravidez e no primeiro ano da criança, para logo depois acompanhar com ela os sinais do Autismo leve que viria a aparecer também no seu caçula.

De outro lado, uma belíssima jovem com um filho tão bonito quanto ela e também especial… Outra história de decisão pela segunda gravidez e o irmão cresce sendo feliz e ajuda seu irmão a se desenvolver dando os parâmetros do comportamento típico que ele precisa para ser aceito neste nosso ainda tão excludente mundo.

Vi histórias tristes de famílias desistindo e se trancando em casa com o filho. Vi mães dando tudo e recebendo tão pouco. Famílias sendo negligentes (sim, isso é possível) e pais, que nem são os pais, mudando o mundo por seu filho do coração, enquanto tantos, tantos outros abandonam suas famílias confirmando tristes estatísticas que eu tinha ouvido dizer.

Acompanhei com muita atenção um moço bonito chegar no diagnóstico tardio que o libertou de uma profunda sensação de inadequação, conheci sua esposa, parceira que toda mãe e pai deseja para seu filho. Ela luta bravamente ao lado do marido, por menos preconceito e mais aceitação, demonstrando aquele amor incondicional que geralmente relacionamos às mães.

Por isso, quando me perguntam como o Autismo impactou minha vida, meu olhar reflete todas as histórias lindas que estes 13 anos de blog trouxeram, o carinho das mensagens, os tantos agradecimentos que recebo e adiciono tudo isso à pessoa fantástica que é minha filha, que tem Autismo mas também tem sensibilidade, tem carinho, tem respeito e empatia como poucas pessoas são capazes de ter e é aí que eu sorrio.

O apoio que nasce do incomum

Há quem diga que sou otimista demais e que sorrio assim porque por aqui é mais fácil… Mas não importa o que digam e este foi mais um ganho que esse danado desse Autismo me trouxe na bagagem. Essa certeza de que os outros refletem o que são e o que importa de fato são todos esses ganhos que seguem a me ancorar.

Enfim, sigo sustentando o sorriso nesta caminhada, porque o que realmente conta é que a síndrome – que dizem por aí erroneamente que isola a pessoa – me fez vivenciar as melhores companhias que eu jamais consegui merecer. Se o mundo soubesse a força que vem do apoio que nasce do incomum, buscaria valorizar de vez a diferença e pavimentar com respeito as estradas que invariavelmente todos os nossos pés hão de trilhar. Pois sim, haverá um dia que cada um de nós há de precisar buscar no outro o que não tem, nessa hora a tal deficiência estará envelopada no pedido de ajuda, seja na doença, na velhice, seja temporária ou não.

Ninguém é melhor que ninguém, nenhum de nós é capaz de se bastar, precisamos de uma vez por todas construir as pontes entre nossas particulares deficiências amparar mais e julgar menos.

Nos últimos 13 anos é sobre isso que tenho falado.

Feliz aniversário Mundo da Mi!

Leia/ouça a primeira publicação do blog:

A descoberta do Autismo

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