Entre a polêmica e a felicidade

O que faz você feliz? Outro dia assisti a um filme onde o personagem viajava o mundo para descobrir esta resposta e na nossa história quantas pessoas não deram tudo de si para responder a isso. Tantos conceitos dentro dessa pergunta, tantos significados pessoais e a única certeza que temos é que a felicidade é algo extremamente pessoal, por isso tristeza e euforia não representam contas bancárias, nem nacionalidade, a pessoa é triste ou feliz independente de onde esteja ou do que tenha.

Eu não sei se tenho a minha resposta completa, mas sei de muitas coisas que me fazem feliz, as coloco em uma altar, são sagradas para mim e velo por elas com extremo cuidado. Um exemplo: os momentos que tenho em casa com meu marido e meus filhos, não os troco por internet, nem futebol, nem reuniões. Procuro não comprometer este tempo pois é daí que vem a energia para enfrentar todo o resto.

Também sei o que suga a minha energia e me faz infeliz. Um exemplo: discussão. Isso é algo que respeito e peço que respeitem, é da minha natureza não entrar em polêmicas e nem de longe quero convencer ninguém da minha verdade. Quando isso acontece e eu preciso defender meu ponto de vista eu acabo batendo forte demais e mesmo sem querer, minha voz me trai e eu fico mal, pois há muito tempo a minha característica mais marcante tem sido o respeito às pessoas.

As polêmicas são necessárias a meu ver, a discussão fomenta mudança, mas é preciso coerência com o que se diz e o que se faz e é preciso também ser forte para não se abalar e nunca, nunca, nunca… perder o respeito pelo outro.

Pois bem, fevereiro terminou e eu queria que fosse o mês especial de aniversário de dez anos do Mundo da Mi, só isso. Mas houve tanta polêmica envolvendo o autismo, tanta briga entre pessoas que gosto e admiro, tanta discussão que eu fiquei sem energia… não me envolvi, mas fiquei triste. Uma tristeza de alma ferida mesmo, tristeza que desanima.

Porque tem hora que parece que as pessoas estão muito mais interessadas em fazer um mundo à parte, tribos que acreditam em uma só coisa. E são as mesmas pessoas que lutam pela inclusão, por um mundo de aceitação às diferenças… Só que alguns querem a cura, outros nem aceitam que seja doença, alguns acham que estão fazendo algo bom, mas recebe críticas violentas. Tem a tribo da dieta, do tratamento x, os que criticam os médicos e os que criticam a pesquisa, os que criticam as ONGs e aqueles que criticam tudo e não fazem nada.

O que eu fiz foi desligar um pouco o mundo virtual e focar na minha fonte de felicidade. Milena respondeu lindamente, me deu a certeza do quanto nós estamos conectadas. Estava ranzinza, irritada e impulsiva, agora está adorável, tem feito piadinhas deliciosas dentro do contexto, mostrando o quanto consegue se comunicar bem, tem falado muitas palavras em inglês e sido paciente e bem comportada. Sabe que a mãe está acessível para brincadeiras e favores e isso faz para ela, uma diferença danada.

Acho que quando a gente está feliz a gente contagia. Pelo menos aqui em casa é assim. Se eu fico mais centrada ela reage muito bem, eu fico mais paciente, elogio mais, corrijo com mais carinho e tudo fica melhor.

Por isso cuidado, se você está chegando agora neste universo chamado autismo, cuide bem de você, dê a você mesmo ou a você mesma a oportunidade de sorrir seja do jeito que for e respirar. Angústia não alimenta e nem produz e seu investimento agora precisa ser produzir aprendizado, produzir felicidade na vida de alguém que talvez, não vai conseguir fazer isso sozinho e por isso precisa muito de você.

Se equilibrar é para os fortes. Por minha filha sou forte e busco me equilibrar e de forma coerente tento exigir do mundo somente o que posso dar.

Viu só Milena, como você minha filha, faz da sua mãe uma pessoa melhor?!

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Sem comentários

  • Responder Isolda Herculano 3 de março de 2016 at 15:10

    Fausta! Eu adoro ler aqui esse ar de serenidade que passa suas palavras. Não é aquela serenidade passiva – até porque eu acho que fugir de discussões é algo muito ativo: é essa coisa que me faz intuir, quando percebo que ultimamente tenho dado tanto espaço ao pensar. Pensar é bom. Mas, sentir? Melhor ainda. A felicidade, no meu conceito, tem que ser sentida; não é tátil nem serve para você como serve para mim. E como se sentir sem olhar para si mesmo? Vejo mães de autistas, todos os dias, pensarem que estão nadando no mar do autismo, quando estão, na verdade, se afogando. Eu mesma. Já bebi muito dessa água salgada, ainda bebo, mas não quero continuar bebendo. Pelo menos não sempre. Adoro vocês de graça! Beijos.

    • Responder faustacristina 3 de março de 2016 at 18:58

      Ai Isolda, das coisas boas que acontecem na vida você e seu texto são uma das minhas mais recentes ocorrências!
      Nem tenho palavra para te agradecer. Adoro ler o que você escreve e fico extremamente honrada com seu comentário sempre generoso e inspirado.
      Que a gente siga se inspirando mutuamente.
      Um grande abraço!

  • Responder Ânara 4 de março de 2016 at 13:04

    Como sempre, sábias palavras!

    • Responder faustacristina 4 de março de 2016 at 19:13

      :] Obrigada querida Ânara.

      Me dê noticias quando tiver um tempinho.
      Abraços carinhosos!

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