12 anos

Um recado através do tempo

Quando o autismo chegou assim, sem se apresentar antes em nenhum momento, assim de repente sem mandar uma mensagem dizendo que ele existia, eu tomei um susto. Na minha total ignorância eu me perguntava: aquele bebê lindo (não é coisa de mãe, minha filha é linda de verdade) poderia mesmo ter autismo?

Foram meses e meses de pura luta interna. Diziam que ela não era autista e eu acreditava nisso, meu coração me mostrava os sinais e eu voltava a duvidar.

Eu vivi assim nesta angústia da não certeza, nessa inexistência de um rótulo que me orientasse, esperando hora o pior, hora o melhor dos mundos: isso é fase, vai passar, vamos resolver, vamos superar.

Batendo em portas que não me respondiam nada, buscando uma ajuda que nunca vinha, percebi quão pouca informação eu teria. Até que encontrei na internet um grupo de pais reunidos, trocando informação sobre seus filhos e lá eu achei minha filha contada em outros relatos e as minhas dores descritas nas palavras de quem eu nem conhecia. Foi quando a tal “ficha” caiu.

Uma das coisas que me lembro por entre a ‘neblina’ daqueles primeiros dias foi que eu queria ver alguém com autismo, outra criança, um jovem, um adulto… eu queria muito ver como a minha filhar ia ser. Sim eu sei, ingênua. Mas eu não sabia, ninguém sabia direito sobre a síndrome há doze anos atrás, a informação era pouca e o que tinha disponível não batia com o que eu vivia em casa, então eu achava que vendo um autista eu teria visto todos e saberia como o futuro iria ser.

Aos 4 meses a suspeita de que algo estava errado vinha da falta do olho a olho no momento da amamentação.

Aos 4 meses a suspeita de que algo estava errado vinha da falta do olho a olho no momento da amamentação.

Hoje em dia quando minha manhã é inundada pela sonoridade de uma voz doce que me diz religiosamente: Bom dia mãe! Eu tenho uma vontade enorme de entrar na curva do tempo e encontrar a mulher de doze anos atrás.

Aquela segurando o bebê e perguntando a si mesma enquanto amamenta: “Por que ela não me olha?” E que vê seu coração se apertar diante da perspectiva de um futuro sombrio e doloroso… Ei, você! Eu grito através do tempo. Aquieta seu coração… Uma parceria linda está pra nascer entre você e essa garotinha e muitas alegrias estão por vir… e quanto as dificuldades, elas serão imensas mas transponíveis e as dores vão doer menos com o tempo. O preconceito vai te fazer forte que nem leoa e a solidariedade vai te fazer doce e serena e o mais importante, você vai experimentar o impacto do amor incondicional e viver a experiência mais incrível da sua vida!

Eu não sei se eu mesma me ouviria e nem sei se o medo iria me deixar de vez mas se preciso fosse eu seguiria dizendo o possível para que a neblina se dissipasse logo: Quem tem um filho tem um mundo nas mãos e por ele se torna capaz e se faz melhor. Arranca do coração a angústia, ergue tua cabeça e se prepara para uma incrível jornada de amor.

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Tatá
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Mamis, 12 anos de aprendizado né, quem diria o tanto que aquele bebezinho fofo tinha pra ensinar pra gente! Amo vocês demais, sintam-se masgadas viu?

Josemara
Visitante

Me emocinei, lindo de mais, isso nos dar muita força para lutarmos cada vez mais por nossos filhos, eles tem mais potencial do que imaginamos, e para Deus nada é impossível…

Roberta Silva
Visitante

Cris minha querida. Foi difícil terminar de ler seu texto com tantas lágrimas nos olhos. Que mãe não se emocionaria? Mas te descobrir descobrindo sua tarefa de alma e te acompanhar realizando-a é profundamente emocionante. Esse recado da vida o qual vc se tornou brilhante porta voz deve ser gritado aos 4 ventos. Que Deus continue lhe tocando e fortalecendo nessa nobre missão. Os anjos dizem amém.

flavia
Visitante

Lindo, lindo, lindo…. que Deus continue abençoando vcs!

adrianacristina08@hotmail.co
Visitante

Oi linda Fausta que lindo esse vídeo,são pequenas atitudes dos filhos que nos transformar não é.Que bela mensagem e sábias palavras amiga,tem pessoas que são como anjos de Deus,você é uma delas que irradia luz,que Deus ilumine sempre sua vida e de sua família.

Angélica
Visitante

Para uma mãe que está vivenciando nesse momento a fase da neblina por ter recebido há pouco mais de uma semana a “hipótese diagnóstica de TEA” do seu lindo menininho, é impossível ler seu texto sem chorar. Como eu preciso de relatos como o seu. Como eu preciso ter esperança que meu menininho vai ficar bem…