11 anos

Tempo de retrospectiva

Este blog é um espaço mágico pra mim. De uma forma inteiramente despretensiosa comecei a escrever há anos atrás, inspirada no modelo de algumas mães que já se foram da blogsfera… Ter um lugar pra simplesmente registrar esta real aventura de ser uma mãe sem receita, nenhuma mãe tem receita né? Porém existem alguns caminhos que já foram seguidos e a gente aprende com eles, com o Autismo estamos vendo isso acontecer só agora – que bom – pois quando estávamos naquele período inicial achando que nossa bebê tinha algo diferente e ninguém se arriscava a nos dizer o que poderia ser, eu investigava, buscava e sim, já tinha informação, mas ela ainda era escassa e tinha muitos mitos sendo divulgados como verdades… não havia um norte, não havia respostas. Foi quando o blog saiu do terreno das idéias e me trouxe oportunidade de registro, de partilha, de reflexão e principalmente de trocas.

Hoje em dia tem tanta gente escrevendo coisas lindas e dicas super úteis sobre autismo, fico feliz demais em saber que uma mãe, na madrugada insone da época do diagnóstico, este doloroso período, pode encontrar na internet experiências que mostrem a ela que alguém já possou por ali, pelas lágrimas e pela esperança e encontrou muita alegria no caminho que parece ser apenas de sombras.

Eu vou ficar um tempinho de férias e quero deixar vocês que nos acompanham com alguns pedaços da nossa vida registrados por aqui há algum tempo.

Convido a quem quiser para conhecer um pouquinho deste nosso passado, voltando ao mês de dezembro de 2007.

 

Relembrando 10/12/2007

Papai nenêna foi balá?

Era bem cedo ainda quando acordei hoje, com a voz doce de minha Milena me perguntando pelo pai (papai da Milena foi trabalhar?). Eu sorri ainda “grogue” de sono, quando ouvimos uma frase inteira dita de forma espontânea ainda nos encantamos, mesmo após alguns meses. É uma conquista fabulosa de nossa garotinha, que há algum tempo atrás era apenas uma possibilidade carregada de medos e incertezas.

Outra sentença que nos tem feito dar risadas é o : – pára! Dito quando estamos fazendo com ela algo que a desagrada. Outro dia ela soltou: -pála quísso papai, emendando o “com isso” de forma hilária.

Fala tudo, e como fala a menina! Quando não entendemos, ela procura uma forma disso acontecer. Tem momentos em que mereço o prêmio nobel da tradução quando consigo entender que tôlo significa controle (remoto), tála significa tiara (nesse dia ela me trouxe uma foto em que a garotinha usava um tiaraJ), ôvo siginifica de novo, outra vez. Dididi é dirigir, aála Ana Laura, totóla Ana Vitória e por aí vai a interminável lista do repertório vocabulário de dona falante.

Ela também nos deixa perplexos com a memória incrível, lembrando de pessoas, lugares e fatos que aconteceram há mais de um ano. E acima de tudo me encanta sua extrema sensibilidade, como ontem quando ela cantava uma música de festa junina e perguntou sobre a professora de educação física que se demitiu no meio do ano e por quem ela era apaixonada. Ela me pediu para falar com ela, aí ela coloca a mão na minha boca e diz: -titia cáxia, e eu tenho que repetir, como se eu fosse um telefone capaz de enviar a mensagem ao destinatário, -bem quí – ela continua, caja nenêna, senta quí.

Aí eu percebo que ela está sentindo falta da pessoa, explico que é saudade isto que está sentindo e meu coração se aperta por saber que não posso fazer nada a não explicar que isto acontece na vida. Pessoas que gostamos se afastam e o que fica é esse vazio, essa vontade de estar perto outra vez.

Entre os doces sentimentos que esta fala tem faz surgir, vamos vendo nossa menina se revelar, carinhosa e sensível como poucas vezes vi, uma criança de 05 anos ser. Bom demais.

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