Na contra mão da felicidade

Bom, hoje é dia de finados, eu esperava apenas postar nos próximos dias, pois dia 09 é aniversário da Milena, preparo um post especial, mas decidi fazer um texto simples, sem imagens, só pra desabafar um pouco, compartilhar com vocês os momentos que não são assim tão bons como a grande maioria dos meus momentos são.

Milena falava com uma amiguinha hoje pela manhã pelo Facebook. Ela faz sempre isso, liga pelo face, coisa que eu ainda não sei fazer e que ela descobriu quando a gente ainda morava em Londres. Pois bem, essa garotinha veio brincar com a Milena outro dia, uma fofa, daquelas raras que tratam a Mi muito bem, se importa com ela e até mima demais para o meu gosto, me contou outro dia que deu comida na boca da Milena no recreio, imaginem vocês, Milena come sozinha há anos! A amiguinha tentando cuidar e a outra bem abusada, se aproveitando e na certa achando delicioso ter tanta atenção assim.

No meio da conversa desenrolada via face, a amiga contou que estava se preparando para ir a uma festa de alguém da turma da escola, uma festa a fantasia acho, pois ela queria saber se Milena tinha fantasia…

O que se passou então foi muito complicado, Milena me perguntou se ela iria, mas eu expliquei que ela não foi convidada e então ela perguntava para a colega se ela podia ir, a amiga sem entender o que estava acontecendo dizia que sim, que era uma festa da turma e que Milena poderia ir.

Tive que pedir a ela para se despedir da amiga, para poder explicar o que é um convite e que sem convite a gente não pode participar dos eventos.

Ela “entendeu” e dez minutos depois foi ao quarto, pegou uma tiara que estava com ela, emprestada por uma colega, e ia quebrar a tiara se eu não tivesse interferido… Aí veio a crise… O de sempre, pacote completo… coisas arremessadas, choro, grito, a mãe como alvo da frustração (claro, é o mecanismo de co-regulação).

Eu acolhi, fiquei firme com a experiência que tenho, apenas cuidei do ambiente, pra não deixar que ela se machuque, nem que quebre nada. Depois veio o choro, um choro sofrido, lágrimas e beicinho e com o coração destroçado, eu só queria abraçar e acalentar, mas ela não gosta de abraços nestas horas.

Não vou jamais poder dizer o que é ver minha filha sofrer. Eu sei que não posso esperar que ela seja feliz sempre, que todos sofrem uma hora ou outra mas…

Eu sei que muita gente não sabe o poder que tem nas mãos, o de fazer feliz ou infeliz outra pessoa. A gente pode com uma atitude ou com uma palavra, interferir no dia de alguém, na vida de alguém. Atitudes acolhedoras promovem a fraternidade, atitudes excludentes trazem lágrimas e fazem sofrer. E tudo isso começa na infância, é passado por exemplo… adultos que não sabem acolher as diferenças, vão passar para a próxima geração esta não aceitação.

Nem sempre as pessoas percebem, mas eu sei que um dia a gente vai conseguir de fato aceitar a todos, acolher, convidar. Eu vou esperar a chegada deste dia, eu vou acordar melhor amanhã, por agora, eu vou dar pra minha filha o suporte que ela quer e precisa e vou dar a ela um dia lindo, vou fazer tudo que estiver a meu alcance e cuidar pra suportar o fato de quem nem tudo está.

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