10 anos

Regulação Emocional – um achado!

inicioDesde que chegamos em Londres estamos convivendo com temperaturas baixas, cinco graus em dias bons. Eu adoro frio e aqui estamos aquecidos em todos os ambientes por isso é mais fácil na hora de tomar banho, levantar da cama, só é complicado porque na hora de sair de casa temos que nos empacotar direitinho. Calças, blusas, meias, botas e conforme o lugar que vamos, museus, galerias, tiramos uma ou duas camadas de roupa.

Milena estava fazendo o ritual de sair de casa ser um momento muito tenso. Quase todas as vezes, ela tinha uma crise de agressividade antes de sairmos. Eu atribuía isso ao fato de não termos uma agenda antecipada ou ao fato dela ter que colocar tanta roupa (sensorial), mas comecei a perceber que eu estava deixando de lado a sua regulação emocional.

Foi depois deste insight que nossa vida mudou! Ela está muito mais calma e eu peguei o jeito dessa coisa de segurar a direção das emoções da Milena. Eu sempre fiz isso, buscar ficar bem quando ela não estava bem, para que ela me tivesse como apoio, como ponto de equilíbrio. Mas agora isto está muito mais evidente pra mim, o que era intuitivo passou a ser planejado. Ela precisa de alguém nos momentos mais delicados e quando eu não estou disponível preciso fazer a transição, passar essa condução para outra pessoa.

É difícil explicar como é isso, mas vou tentar, pois é um ponto de extrema importância para quem convive com pessoas com Autismo. Para quem quiser se informar melhor, veja o blog da Marie, tem o link aqui no blog, vale a pena.

Co-Regulação Emocional

blogmarie

Ano passado eu fiz no Brasil, em São Paulo para ser mais exata, um curso com Eric Hamblen que abordou um tema fantástico: Co-Regulação Emocional, neste caso aplicada às pessoas com Autismo, como uma técnica, uma forma de entender e lidar com uma das principais dificuldade de quem tem uma marcante dificuldade de interação com as outras pessoas.

Durante o dia todo, o especialista norte americano falou sobre o que é essa capacidade que nós adquirimos ainda no ventre materno de regular a nossa emoção. O ser humano é regido pelas emoções, não falo aqui apenas de ódio, amor, medo… falo do conjunto maior que engloba tudo isso e que seria a forma como reagimos diante das situações.

Vou falar brevemente para que vocês entendam, mas convido a explorarem o assunto no blog da Marie.

Quando algo acontece – e o tempo todo acontecem coisas obviamente – nós esquematizamos uma reação já padronizada ou construída apenas para aquele momento. Estou perdida em uma cidade, minha reação vai depender do dia, da circunstância, mas a grosso modo posso dizer que vou me organizar para me orientar e saber onde estou e como faço para chegar onde quero.

O bebê faz regulações o tempo todo, primeiramente ele não é capaz de se auto regular, ele então busca na mãe o suporte. Pequenos sinais são registrados que darão para o bebezinho a segurança que ele precisa diante do desconhecido. Mãe nervosa é igual a bebê agitado na maioria do tempo.

Eu também me auto regulo o tempo todo, me regulo também com outras pessoas e acessando meus programas que foram construídos ao longo da vida. Se estou em uma casa e ouço um forte barulho de origem desconhecida, procuro instintivamente o dono da casa com o olhar e se ele está calmo, eu também fico calma (deve ser um barulho comum por aqui) e se as outras pessoas que estão comigo se desesperam e saem correndo eu saio atrás sem questionar…

reguladas

Pois bem, com o Eric Hamblen e a Marie, aprendi o que eu já observava a muito tempo, Milena fica calma se estou calma e nervosa quando estou nervosa, tensa ou agitada. E se ela se desorganiza por algum motivo, preciso estar bem para que ela encontre em mim ou no seu cuidador do momento o equilíbrio que está precisando.

Foi assim no episódio da crise por medo de bolinha de sabão lembram?

Agora temos feito assim: para sair de casa eu começo a me arrumar com ela por perto, eu mantenho ela no foco. Ao menor sinal de ansiedade eu sustento, explico onde vamos, e sem dar ênfase no problema – sair da rotina, mudar a zona de conforto – vou brincando, tratando de assuntos que são do interesse dela e quando preciso do meu tempo, chamo o pai dela e faço uma transição, quando o pai dela consegue dela atenção, contato eu “tiro o meu time de campo”.

Antes ela ficava perdida enquanto todo mundo se preparava para sair, com tanta roupa e detalhes como levar a comida dela conforme o lugar que vamos, ela tinha que lidar com sua ansiedade e stress e quando ficava agitada a gente perdia a calma em meio à correria. Agora, ficou mais calmo o processo todo e ela fica “suportada”, apoiada nas suas necessidades e todos ficamos bem.

IMG_3971Eu me sinto como quem dirige um carro pesado. Ela tende a sair do rumo e eu a trago de volta. É ao mesmo tempo, desgastante e mágico, uma dificuldade inicial, mas que torna tudo muito mais fácil. E não tenham dúvida, a maioria das crises de birra das pessoas com autismo vem do fato delas não conseguirem se fazer entendidas, tudo o que querem e precisam é atenção e compreensão.

Milena tem estado bem saudosa de todos no Brasil, ela e eu também sofremos bastante este mês com o retorno dos meus filhos que ficaram conosco um mês, quatro jovens em casa, Thamires e seu marido, PV e sua namorada. Fizemos muita coisa junto e claro, ficou um vazio enorme quando eles foram embora. Porém se falo pra Mi que vamos voltar para o Brasil ela protesta na mesma hora, diz que quer ficar 🙂

Ela esteve bem gripada nos últimos dias e foi bem ruim vê-la doente, graças a Deus passou, nestas horas é que eu vejo o quanto ela representa na minha vida, fico completamente alterada quando ela está doente…

Bom, vou terminando, estamos mais uma vez com um post mensal, longe do que eu gostaria que fosse, mas Milena ficou doente e eu agora estou com uma forte tendinite… eu poderia brincar que passou uma bruxa por aqui, mas agora tá tudo bem!

A todos um grande abraço, obrigada pela visita, ajudem-nos a divulgar da data 02 de Abril, Dia Internacional do Autismo.

blog2abril

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