Eu tenho uma novidade para contar: Milena está frequentando duas escolas

Quando vim a Porto Alegre procurar escola ano passado, estive em uma das mais indicadas pelas pessoas daqui, se chama CID e já era inclusiva antes da lei da inclusão. Porém, como são poucos alunos por sala, a maioria crianças típicas, não havia vagas e fomos para a fila de espera, pois bem, a vaga saiu e minha filha quase surtou quando eu propus mudar de escola. CIDMilenaComo os turnos são inversos e ela tem sentido muito a falta da sua intensa agenda, achei por bem pelo menos até o fim do ano manter as duas. Eu já sabia que ela não ia se cansar, conheço o pique da garota e realmente no fim da tarde ainda temos a fono dois dias da semana.

Vou contando por aqui como está sendo esta experiência e como faremos ano que vem. Embora eu tenha que enfrentar o trânsito estressado desta cidade, pois a escola nova é bem mais longe (a outra fica em frente de casa) eu estou feliz pois minha filha está feliz e as pessoas da equipe são também muito queridas, é sempre bom fazer novos amigos.

arvoremontanhaNo outro post contei que a Milena iria se apresentar na escola. Pois bem, ela se saiu muito bem embora noventa por cento do trabalho tenha sido feito por mim, mas ela participou de forma bem descontraída, o problema é que não consegui filmar e ela ficou agitada com isso. Disse em outras palavras que não valeu, que temos que apresentar de novo para poder filmar. Chegou em casa muito nervosa, em crise (choro, grito), mas depois passou. Fora isso, foi bem legal.

Apresentamos a música “A Árvore na Montanha” e eu fiz um Power Point com toda a letra da música e uma animação, Milena colou as figuras em um mural e tocou atabaque para acompanhar (ela ama instrumentos de percussão).

Não me lembro se já contei aqui, Milena em muitos momentos e já há algum tempo me pergunta do nada:

– Você é minha mamãe? (Antigamente perguntava: – você é mamãe dela?)

É tão interessante esta pergunta em se tratando de uma menina com autismo. É como se ela tentasse se localizar neste mundo. É como se até hoje, não tivesse dado conta de que ela é ela, nesta vida, neste corpo e às vezes saísse de seu mundo para constatar esta realidade tão óbvia.

Ela ainda refere-se a si mesma na terceira pessoa, vê-la dizendo: – “ela” não gosta mãe, “ela” fica triste… também traz esta pequenoprincipeestranheza. Me lembro do pequeno príncipe não sei bem o porquê, mas é uma sensação de estar conversando com um ser de outro planeta mesmo, mas uma doce, meiga e carinhosa menina.

Ela, assim como o personagem deste fascinante livro do qual sou fã incondicional, me faz refletir sobre coisas muito profundas. Quando passamos perto de alguém que mora na rua e ela me pergunta inconformada por que aquela pessoa não tem casa… Quando ela quer fazer algo indelicado ou inoportuno e eu a repreendo ela olha pra mim e pergunta assombrada: – não pode?!! Fico achando que qualquer hora ela vai completar: – que planeta estranho este seu… E o pior que se isso acontecesse eu nem teria como negar 🙂

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Milena está com forte mania de objetos escolares novamente. Está bem difícil esta fase. Ela já tem quatro mochilas, uns oito estojos. Lápis, canetas, canetinhas e parece que não tem fim. O pior de tudo é que isso se complica muito – pasmem – quando ela come algum doce, algum alimento mais industrializado. Eu também não acreditava, eu também achava que os pais que diziam isso estavam pirando, mas não tem como negar que o que minha filha come interfere nestes comportamentos. Não deixa de ser autista, não deixa de ter manias, se irrita com as frustrações, mas… a reação e a forma como ela lida com tudo isso é muito mais forte quando está comendo “porcarias” (leia-se aqui alimentos industrializados mas sem glúten e sem leite, uma bala, uma gelatina…).

Fico imaginando que, se Milena ingerisse salgadinhos, biscoitos, doces, e toda esta parafernália de industrializados seria muito, mas muito mais difícil lidar com ela. Eu nunca tive este habito nem com meus filhos típicos. Sou vegetariana há 27 anos, embora todos em casa comam carne, e procuro na medida do possível não comer muita “besteira”.

Sigo com a dieta, mas eu não faço tratamento biomédico, não sigo nenhum protocolo, por motivos bem particulares. Cada caso é um caso e só devemos dar passos que conseguimos e se não estamos prontos, não é pra se culpar. É tudo o que posso fazer neste momento, sigo o caminho que acredito neste momento, faço o que consigo custear. Ok, siga assim e bem feliz, pois seu filho estará bem com toda a certeza.

Fico por aqui, pois minha jornada tem exigido que eu acorde muito cedo, então beijos e saibam que estou me cobrando bastante uma maior frequência nos posts. Adoro os comentários mas quem quiser que eu responda ajuda muito se me enviar um e-mail, ok?

Beijim procês!

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