O autismo e a alimentação sem glúten

interroga2Frequentemente me questiono sobre tudo o que faço e o que deixo de fazer em relação ao enfrentamento do Autismo.

Afinal, valeram a pena tantas horas de terapia intensiva desde que minha filhinha era apenas um bebê? Quanto tempo de sala de espera, quantas horas de trânsito… Me lembro que no Rio de Janeiro eu pegava ônibus e metrô, às vezes (muitas vezes) debaixo de chuva, carregando Milena, guarda-chuva, bolsa… ufa! Tudo para leva-la às sessões de 50 minutos de fonoaudiologia.

Os progressos sempre aconteceram e eu nunca saberia dizer o que foi realmente mais eficaz. No fim de 2006 minha amiga Márcia escreveu sobre os impressionantes progressos de sua filha Júlia com a dieta SGSC – sem glúten e sem caseína- e aquela sensação incômoda que ficava ecoando na minha cabeça: “estou fazendo tudo o que posso?” incorporou mais um desafio à minha vida e Milena passou a se alimentar sem estes componentes em sua dieta.

Como sempre aconteceu, houve um pico de progresso no início da dieta e ficamos bem animados. Ao longo deste tempo ela não fez mais uso do glúten, creio que houve apenas dois episódios em que pessoas desavisadas insistiram para que ela comesse e ela cedeu. Notamos a diferença visível em seu comportamento, sabíamos que estávamos no caminho certo.

Ano passado eu quase tive uma estafa, Milena estava sendo acompanhada por nada mais que (fono, psicopedagoga, mosicoterapiainterroga2pedagoga, t.o., psicóloga,fisioterapeuta, além da aula de música e natação e terapia corporal) uma loucura que ela adorava e eu me desgastava dirigindo quase 250 km por semana em uma cidade de porte médio como Uberlândia.

Com todo o cansaço de três anos nesta correria inevitável e eu estava questionado tudo, até a dieta. Afinal valeu a pena?

Quem conhece e convive com Milena dirá que sim e eu não me preocupo com esta resposta. Na verdade em qualquer situação que a vida me apresente a pergunta mais importante a ser feita é uma só: – eu fiz o que podia naquele momento? Esta é a chave mágica que me livra do fantasma da culpa. a culpa de não ter sido uma mãe tão dedicada para meus dois primeiros filhos, a culpa de não ter sido uma filha melhor, uma esposa melhor, uma estudante melhor.

Interroga4Naquele momento eu fiz o que dei conta. Naquele momento era tudo o que eu tinha condições de oferecer! Isso basta 🙂

Estou dando para a Milena um leite de arroz que compramos no supermercado em caixa longa vida. O gosto é péssimo mas ela adora, principalmente porque parece o nosso leite e ela pode misturar com café ou chocolate. Pois bem, errei ao ler o rótulo e dei sem querer por três dias o leite de aveia – que contem glúten -. Milena começou a ficar chorona, aquele choro que conheço bem: se eu disser que ela vai almoçar ela chora e se eu disser que não precisa almoçar ela chora também… Um comportamento de irritação como se nem ela mesma soubesse o que quer.

Em seguida veio uma diarreia – ela o d e i a – e como ela nunca teve problemas intestinais (a não ser na época de desfraldar que ela prendia o intestino para não usar o vaso ou o peniquinho) fiquei mais atenta e descobri sobre o leite.

Quando expliquei a ela que estava assim por que tinha comido glúten ela gritou que não comeu, confessei o meu erro e ela me olhou brava e disse: – não faz mais isso viu mamãe?

– tá bom Milena, não vou mais fazer isso, respondi.

– tá avisando?

– está avisado sim minha filha.

– não quelo gúten!, “ela” não pode comer gúten!!!

Confesso que tenho estado desanimada em continuar esta dieta tão difícil e em meio aos questionamentos: será que tem valido a pena? Andei pensando em parar um pouco com esta procura por ingredientes alternativos, receitas específicas, criatividade a mil, muito dinheiro empregado em alimentos que nem sempre agradam… pensei mesmo em testar um tempo sem a dieta.

Bem, a minha resposta veio sem que eu esperasse e por mais que eu saiba que nem toda pessoa com autismo se beneficie da dieta, no caso da minha filha tenho a comprovação de que, no caso dela acertamos nesta decisão e por mais difícil que seja teremos que perseverar neste caminho.

Partilho com vocês o quanto nossa menina nos faz dar risadas com a dupla alegria de quem se encanta com a lógica infantil e quem percebe um progresso enorme refletido nestas tiradas cotidianas:

perolas222

FÉRIAS!

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