8 anos

Aprendendo o significado da palavra saudade

Tem sido muito enriquecedora a convivência com minha filha nestes últimos meses. Sem a rotina das terapias, da escola (que só começa no fim de fevereiro por aqui) e sem ter ninguém com quem dividir os cuidados da garotinha (a não ser o papai nos momentos em que não está trabalhando) eu vejo o quanto Milena realmente conquista competências e aprimora aprendizados.

O que chama muito a atenção é a memória incrível. Ela comenta sobre o passado relacionado ou não com acontecimentos presentes mostrando que não esquece experiências vividas e se lembra de compromissos, de levar ou trazer, ou comprar como se fosse uma agenda – e eu que tenho TDA uso e abuso desta minha memória periférica. Sobretudo, ela cobra as promessas que ouve dos adultos. Esta mania que temos de dizer: depois, mais tarde, amanhã… com Milena é fria, pois ela vai cobrar: ah! mamãe, aquele dia você disse que quando a gente voltasse aqui a gente vinha neste parquinho.

Temos que ser muito coerentes com o que dizemos e cobramos dela, regras são seguidas à risca e ela nos cobra o tempo todo que façamos tudo o que pedimos que ela faça. Se “não pode comer na sala” ela vai cobrar isso até quando estamos visitando alguém (!).

Ela também cobra tudo o que prometem a ela, principalmente porque acredita no que as pessoas dizem. Vejo muitos adultos prometendo coisas que não vão cumprir ou tentando “engalobar” a menina com promessas do tipo: depois eu volto, venho te buscar para brincar lá em casa, vou comprar um igual pra você. É que ela é bem chata quando encasqueta com alguma coisa, fica obcecada mesmo e às vezes as pessoas não sabem como sair da situação e prometem o que não pretendem cumprir.

desenhoOutro dia foi doloroso ver a decepção dela quando descobriu que o objeto que a pessoa prometeu lhe dar não tinha vindo nas suas coisas… ela procurava se recusando a aceitar que não estava ali, afinal a pessoa tinha lhe dito que ela poderia levar. É como se ela não acreditasse ser possível que alguém minta, como se esta possibilidade não existisse. No final ao invés de tentar explicar que a pessoa tinha apenas dito que iria lhe dar o tal objeto (pra se livrar da insistência) eu disse a ela que tinha caído no meio do caminho, que tinha se perdido. Ainda assim a surpreendi várias vezes revirando sua bolsa à procura do tal e a decepção no seu rostinho lindo é de cortar o coração…

Falando nisso, ontem nossos corações ficaram aos pedaços (que ninguém com autismo leia esta frase!) pois Milena estava no??????????????????????????????? quarto chorando, choro silencioso que se repetiu algumas vezes quando ela assistia ao vídeo que fiz dela conversando com a Tatá.

Toda vez que ela via o vídeo em que a irmã explica que não dá pra ficar com ela o dia todo no MSN, grossas lágrimas escorriam em sua face e eu explicando a ela que aquilo se chama saudade… Mas como é que a gente pode explicar isso?

???????????????????????????????Nesta nova fase de vida, em que a configuração da nossa família passou de cinco para três pessoas e que estamos lidando com tantas mudanças, preciso de muita serenidade para conseguir administrar a minha própria saudade e angustia.

Meu paidrasto do coração está melhorando após uma longa batalha (anemia, pneumonia, infecção, hipertensão, perda de massa muscular somado a sua já existente diabetes e disfunção renal) segue também para uma nova vida, agora com uma deficiência física (Milena ainda não sabe que ele perdeu a perna).

O fato é que se eu não estiver bem, não conseguirei passar para ela a serenidade e segurança ao seu coraçãozinho.calma2

Bom, pra quem ficou tanto tempo sem escrever, já viram que começo a tirar o atraso. A todos que me “seguem” no blog saibam que vou falar bastante sobre as dificuldades que temos enfrentado com a nossa garotinha especial e espero, contar com a troca de experiência seja por e-mail ou pelos comentários, o importante é que estamos bem, não procurei terapias por aqui ainda, estou muito em casa respeitando meu tempo interno de adaptação. Fico por aqui, beijos iluminados de amor e gratidão.

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