7 anos

Autismo e códigos sociais

Que temos cometido alguns equívocos na educação de nossas crianças, é fato. A educação passa longe do exemplo e é por isso que temos tantas decepções, falamos coisas que não fazemos como pedir ao filho para dizer ao telefone que não estamos em casa e depois fazer um sermão sobre como devemos falar sempre a verdade. Devemos respeitar regras e deixamos de lado o cinto de segurança ou dirigimos depois do copinho de cerveja, entre outras banalidades que fazemos sem perceber ou porque é senso comum, a frase: todo mundo faz assim passa a justificar muitas das nossas posturas incorretas.

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Tenho aprendido muito sobre isso. Milena me cobra tudo o que falo para ela fazer. Com frequência escuto: –Mamãe não pode comer na cama ou então: não pode sentar na mesa. O duro é quando ela faz isso com pessoas estranhas. Ao ver um hóspede no hotel fazenda andando sem camisa falou ao pai: olha, o moço tá sem roupa, não pode né papai?. Ele que não conhecia nossa garotinha ainda, ficou muito sem graça coitado, ela não podia entender que naquele lugar, naquela situação específica, era permitido aquela atitude para um homem. Falta a ela a flexibilidade mental, para fazer este tipo de concessão. Falamos muito a ela que não pode tirar a roupa, que não se deve andar sem roupa, que se vista antes de sair do banheiro ou do quarto e de repente ela vê alguém andando sem camisa…

Veja só como é impressionante o quanto as crianças com desenvolvimento normal fazem estas conexões na maioria das vezes sozinhas. Elas percebem as nuances sociais, percebem que em determinado momento as pessoas olham, cochicham, riem de determinadas coisas que em outros momentos, é natural e vão aos poucos criando seus códigos internos de conduta. Por isso, além de dar exemplo o tempo todo, nós, pais de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo, temos que criar um código de conduta, ensinando o que é certo e errado, mas lembrando de mostrar e explicar as vezes que este código é quebrado. Para pessoas com autismo, não verbais ou que tem dificuldade de explicar o que sentem, isso deve detonar crises de birra ou isolamento. É como se o mundo fosse um caos, onde as regras podem ser quebradas e por isso a qualquer momento tudo vai virar uma total bagunça. É por essas e outras que se torna tão enriquecedora a nossa convivência com estas crianças, tão autênticas e espontâneas, que exigem de nós tudo aquilo que nós pretensamente cobramos o tempo todo sem fazer a nossa parte.

autismoA luta pela alfabetização da Milena continua e devemos persistir na tentativa por muito tempo ainda. Estou com o método DOMAN, que aprendi no livro Como ensinar o seu bebê a ler, onde são apresentadas à criança grupos de palavras repetidas vezes até que ela memorize e aprenda a fazer a leitura em bloco, o contrário da leitura silábica. Por enquanto ainda não posso falar sobre resultados, o que sei é que TUDO o que ensinamos à Milena é muito difícil, precisamos repetir muitas e muitas vezes, mesmo assim as respostas só acontecem no momento em que ela quer. Não vou fingir que é fácil, que é lindo, pois não é, é sempre muito trabalhoso, a diferença é que fazemos tudo o que os terapeutas nos mandam fazer, o que eu leio procuro colocar em prática e mudo quantas vezes forem necessárias sem fazer disso um drama. Nunca me senti coitada por ser mãe da Milena, sou de verdade muito privilegiada por poder fazer por ela tudo o que fazemos. Até aqui nosso esforço tem sido recompensado!!!

Um grande abraço a cada um de meus visitantes que me honram com a leitura de meus posts.

Me vejam no YouTube em uma entrevista que dei aqui na cidade sobre autismo:

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