7 anos

De volta ao começo…

Milena está de volta às aulas. Seguindo o exemplo de minhas amigas virtuais como a Ana Lúcia, mãe do Caco, e a Karla e Luiza do blog do Lu, fiz um manual para a nova professora. Ficou muito bom, falei das dificuldades mais comuns que encontramos na escola e como contorná-las

Manual para a Escola

Desafios pela frente

Como já expressei aqui, minha preocupação se ampliou muito este ano. O fato de Milena não estar alfabetizada e numa sala onde deve permanecer sentada, enquanto todos leem e/ou escrevem, vai ser um desafio para ela e para a sua acompanhante.

Preciso realizar um trabalho interno muito grande para voltar com o remédio (Ritalina), mas não tem como fugir, o medicamento aumenta a concentração e o foco da minha filhinha e faz com que ela aproveite mais a escola. Eu não gosto de como ela fica com o remédio: quieta demais, passiva demais, não fica dopada, mas fica estranha.

Apesar deste recomeço, eu estou muito diferente. Estamos voltando para a fisioterapia, o primeiro lugar onde Milena foi atendida dos oito meses de idade aos dois anos, continuando o atendimento no Rio quando nos mudamos. A fisioterapeuta se tornou uma especial amiga e é super competente, mas é um retorno (retrocesso?), vamos precisar conquistar quase tudo que conquistamos naquela época e que Milena veio perdendo, pois cresceu muito (tem 7 anos e 1,32m), com isso ela se “desorganizou” motoramente.

Sem comparações nem pressa

Voltar ao início só vem fechar com “chave de ouro” este ciclo em que minha ficha caiu. A ficha de que minha filha não vai ser uma menina com comprometimentos tão leves como eu esperava. Os comprometimentos só são leves se eu comparo com outros mais graves. Mas eu não quero mais comparar com ninguém eu quero ver Milena somente com o foco no seu próprio desenvolvimento.

Milena tem dificuldades que são importantes. Ela não consegue se comunicar sozinha ainda, preciso traduzir para as pessoas o que ela fala. Com aqueles que ela conhece, ela consegue falar por mais tempo, mas perde a noção e, por muitas vezes, incomoda perguntando coisas repetidamente, mantendo diálogos vazios.

Em grupo, não consegue participar das brincadeiras sem a mediação de um adulto, ou fica muito mais vendo a outra criança brincar do que interagindo. Com certeza ela sofre com isso, percebe que é diferente de seus pares de idade. Ontem eu via uma criança de 7 anos na TV falando de universo. Minha filha ainda não sabe o que é um planeta ou um país. Não entende o que seja estado e agora começa a perceber o que é cidade. Não tem como negar que isso traz impactos na sua relação com as outras crianças.

Isto tudo me fez entender todo o seu processo de desenvolvimento de outra forma. Abandonei a pressa e penso no que disse a minha amiga – também amiga e pediatra da Mi – Dra. Nádia: “Ela vai mostrar qual o limite dela”. E se chegar um ponto em que este limite significar não concluir o ensino fundamental, assim será.

Mudando os padrões

Vocês tem ideia do que significa essa mudança? Poucos terão. Esta mudança de paradigmas está sendo erguida com lágrimas, muitas lágrimas. Eu não entendia minhas amigas que tiraram seus filhos especiais da escola. Eu tinha a impressão que tinham desistido de seus filhos que estavam desacreditando de seus potenciais…

Que nada!

A gente cansa de ver uma criança sofrer pelo esforço de romper barreiras quase intransponíveis e começa a pensar em vê-las mais felizes. Não estou dizendo aqui que vou abandonar as terapias, nem que vou desistir da escola. Apenas não tenho mais pressa, o tempo é o da Milena.

Espero que ela aprenda a ler, a fazer contas, mas espero principalmente que isso faça sentido para ela. Que seja um degrau para que ela se torne mais feliz. Se não for assim, vou encarar o fato de que valores muito, muito mais importantes ela tem construído por conta própria. Como uma semana depois do avô ir embora, ela espontaneamente perguntar a ele por telefone: “Foi bom a viagem vovô, você chegou bem?”

Eu jamais ensinei isso para ela. Nunca houve terapia para que ela aprendesse a dizer “dá um abraço na sua mamãe”. Ou perguntar após dias a alguém que ela sabia estar doente “seu dodói foi embora?”.

Essa é minha filha, especial, sensível com limitações sim, mas com muito, muito mais brilho do que muita gente que se diz normal. Que este ano eu possa vir aqui contar para vocês estas conquistas tão incríveis.

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