Os caminhos do autismo

Sempre que vou iniciar um post, me pergunto o que eu posso escrever que sirva de reflexão, troca de experiência, alerta, para aquele pai, mãe, irmão ou irmã de alguém com autismo. Tenho algumas amigas, mães de crianças mais novas que a Milena, que se sentem perdidas em muitos momentos, pois neste país imenso, existem muitos lugares que não tem um profissional competente a quem se possam recorrer. Principalmente para os quadros leves do autismo, em que ouvimos: ”criança é assim mesmo… cada um tem o seu tempo” ou quando a gente meio desnorteado começa a pesquisar sobre autismo e lê: – geralmente não olham nos olhos… não são afetivos… não interagem… Mas você olha para o seu filho e ele olha direto, dentro do seu olho, logo em seguida te dá um abraço e quando vê o pai, vai lá para interagir com ele. A gente pensa que está enlouquecendo.

Foi pensando nisso que fiz este blog, quando encontro pessoas que me dizem que os relatos que coloco aqui as ajudam… nossa! Como fico feliz, pois eu gostaria muito de não ter passado pela angústia que passei ao achar que eu estava inventando um problema, procurando o autismo, pelo simples fato de ser dramática.

Por isso, aos pais que aqui chegam fiquem sabendo que Milena é linda e esperta, ela é carinhosa até demais – ultimamente encontra qualquer, qualquer pessoa na rua ou no elevador ou mesmo quando estamos paradas no sinal vermelho, seja onde for ela diz: – tchau tio(a) e manda um beijo. – Ela interage demais, eu disse demais, principalmente com adultos, tem excelente memória, pergunta muito e é uma garotinha cativante. Mas Milena tem autismo, uma síndrome complexa que desafia os especialistas e para a qual ninguém ainda descobriu a cura ou as causas.

Existem casos relatados de pais que conseguiram a recuperação de seus filhos para um grau muito próximo ao típico, eles são raros, pois ainda não há um caminho único descrito e que possa ser seguido para este resultado. Alguns conseguiram com o Programa Son-rise, há pessoas, porém, que o seguiram com devoção e não conseguiram resultados tão satisfatórios assim. Há pessoas que conseguiram muito com o A.B.A, com o TEACCH, com o Neurocognitivo, com a dieta, com tratamentos biomédicos e justamente pela complexidade do autismo, por cada caso ser único, variável e diferenciado, cada um responde de um jeito.

Eu estou investindo pesado em minha filha e não tenho como dizer que seu bom desempenho venha desta ou daquela terapia, que venha da dieta ou da homeopatia, mas tenho certeza que o conjunto possível de intervenções oferecido a ela, fez com que se desenvolvesse muito, mas como eu disse no post abaixo, ao lado de cada vitória, um novo desafio surge. E esta semana eu fiquei pasma ao ouvir esta mesma frase pronunciada com estas mesmas palavras, de uma amiga minha cuja filha com autismo tem 26 anos. Por isso caros amigos, invistam em seus filhos, façam tudo o que estiver a seu alcance, esperem muito deles, eu tenho certeza que vai valer a pena, mas não se esqueçam que não existe receita milagrosa nem mapa da mina da cura. Não coloque nas mãos de ninguém a recuperação de seu filho, apenas faça o que seu coração lhe peça para fazer, sabendo que a recuperação é possível, mas lembrando sempre que cada caso é um caso.

Espero, com minhas ponderações, poder contribuir. Mas se o que você lê aqui neste cantinho não tem a ver com o que você pensa, é legal que você tenha lido alguns elementos a mais para sua reflexão, apenas isso já me deixa feliz.

Beijos a todos!

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