Conquistas e frustrações

Desculpem pela demora em postar! Os dias estão voando.

Estou atendendo algumas crianças do Instituto orientando na escola, em casa ou com intervenções semanais, além disso, não sei se vocês sabem, sou voluntária em uma instituição que abriga crianças vítimas de violência e maus tratos e nestes últimos dias temos tido um problema por lá que tem exigido um pouco mais do meu tempo.

Justificativas postas, vamos para as notícias de nossa Milena. Eu vivo já há algum tempo um misto de aceitação e inconformismo. Até hoje, minha postura era de inconformismo total, eu lutei, lutei com muita determinação – e luto ainda – para que minha filha se desenvolvesse ao máximo. Como o grau de autismo dela, sempre foi leve, sempre recebi as orientações e diagnósticos falando do seu potencial, do quanto ela poderia evoluir. Eu então modulei o meu esforço para que, quando ela tivesse a idade que tem hoje, estivesse em um padrão muito próximo ao típico, brincando, interagindo, sem precisar de minha constante interferência. Achei que “nesta altura do campeonato” ela já estivesse com uma autonomia maior.

Quando vejo o vídeo Os Diferentes Graus do Autismo me lembro que na primeira vez que o assisti, ao ver no final Ramsey, filho da Verônica conversando tão espontaneamente com a terapeuta, pensei que Milena chegaria a este ponto assim, pois teve intervenção super precoce, muitas e muitas terapias e tudo o que é indicado para alguém que tem o transtorno autista se desenvolver. Quando encontrei a produtora deste vídeo no Congresso Internacional de Autismo, perguntei por seu filho e ela me disse que ele estava muito bem, na escola regular e brincando muito com crianças típicas sem que elas muitas vezes, nem soubessem que o Ramsey tinha autismo.

Apesar de valorizar suas conquistas e admirar o quanto minha filha é guerreira e determinada, o quanto ela vence diariamente suas limitações, confesso que fico muito frustrada quando à noite ela se joga no chão e grita, chora e exige de mim “um caminhão” de paciência para lidar com suas birras. Aqui neste espaço, posso abrir meu coração e dizer que eu esperava que isso já tivesse sido superado. É claro que nem se compara aos comportamentos de alguns anos atrás, de quando ela ainda não falava principalmente, mas não posso negar que ela tem exigido ainda muita paciência e fica claro a cada dia que novos obstáculos surgem ao lado de cada vitória.

Seus principais desafios são a aprendizagem escolar, seus comportamentos inadequados que teimam em aparecer, seu excesso de perguntas a todas as pessoas. Ela demonstra muita intimidade com pessoas estranhas, manda beijo, diz obrigada para quem ela acabou de ver. Disse e repito, é mais fácil modular do que desenvolver, eu só não posso esquecer que modular também exige muita paciência.

Hoje, quarta-feira, Milena está super calma, não tivemos alteração na rotina, o que ajuda muito e graças a Deus ela está atenta e carinhosa. Eu fico por aqui torcendo para que esta tranquilidade continue. Um forte abraço a todos, obrigada pela partilha.

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