Controvérsias e obstinação, esta semana promete!

-Minha mamãe, seu cabelo tá feio.

– É mesmo Milena? Tá feio?

– Não, não ta feio. Tá lindo. Tá lindo, viu mamãe. Viu?

– Tá bom Milena, meu cabelo tá lindo, obrigada.

– Tá feio…

– Milena vou ao supermercado, vamos?

– Não mamãe, não quélo ir, vou ficar aqui com a Tatá…

-Tá bom Milena então estou indo, você fica, tchau.

– Péra mamãe, eu quero ir!!! – aos gritos –

Agora é assim, a praticamente toda pergunta que fazemos, ela dá uma resposta, depois fala o contrário, às vezes ficamos feito bobos com duas blusas na mão e ela escolha uma e a cada três segundos muda e o pior é que fica brava como se nós estivéssemos fazendo a troca por querer.

É pessoal, “rapadura é doce, mas não é mole”. Milena tem estado num estado de chatice que tem me deixado de cabelo em pé. Quer atenção total, plena e exclusiva. Perguntas saem de sua boquinha a cada um segundo e meio e ela quer saber coisas absurdas, aborda todo tipo de gente e em qualquer lugar. Não tem o mínimo senso de conveniência (claro, ela tem autismo!), e o pior dos piores é a mania absurda de querer a borrachinha de cabelo, o esmalte, a boia de natação, a régua, o estojo, o vidro de tinta, o lápis de cor, o chaveiro, o isqueiro e sabe-se lá o que mais.

Bonita, meiga, carinhosa, inteligente, minha filha me encanta só de olhar pra mim, mas também me desafia pois tem uma obstinação Gouvêa sabe? Vocês conhecem? Pois então, o pai dela quando quer é cabeça dura, não se consegue convencer o indivíduo, pelo contrário ele te convence com um jeito muito diplomático. Pois Milena aliou esta obstinação do pai ao autismo e aí quando ela quer algo! Gente, vocês não tem noção, tenho vontade de mandar o mundo parar pra eu poder descer.

O pai dela tem uma grande vantagem, ele considera o outro, faz a vontade dos outros também, então quando ele quer algo e a gente vê que ele quer mesmo, a gente contemporiza, evoca a gratidão, cede… mas Milena só quer, quer, quer e ainda fala bem assim:

– Vai lá compá gola (agora)!!! Em um tom tão “imperial” que gente quase obedece por impulso.

O único problema da Milena é que ela é minha filha, pior pra ela, pois eu não cedo (quem vê até pensa que é verdade). Endureço o coração e digo: – não. Aí a casa cai, até que após umas 52 horas de obstinada e intensiva crise de enjoeira eu grito: – tá bom Milena, eu compro, ou pior: eu peço pra fulano o tal objeto mais inusitado do mundo!

Já bati na porta da Cristina, minha amiga, para pegar uma blusa GG de uniforme, que ela estava usando quando encontrou a Milena na rua, ela foi vendo a blusa e disse:- linda sua búsa tia! E a coitada da Cris: – obrigada Milena, quando a tia não tiver usando ela mais, te dá de presente para você brincar. Pronto, foi o suficiente para uma obsessiva crise de vamos lá buscar mamãe, tia disse, vamos mamãe, vamos buscar mamãe. Um dia eu suportei, mas às nove da noite do dia seguinte eu, exausta, bato na porta da casa da Cris, com uma boa dose de óleo de peroba na cara: – sabe aquela sua blusa?….

Mas olha, conto em tom de brincadeira, mas confesso que isto está cansando. E uma semana que começa com esta enorme sensação de cansaço e impaciência, sei não… promete ser desafiadora.

Beijos a todos! Obrigada sempre pela visita. Adoro receber comentários também 🙂

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