6 anos

A fase do por quê

Então é assim, você responde alguma pergunta feita por Milena, ela não se satisfaz e logo emenda com um: “Por quê?” Ela fala de um jeito muito bonitinho, seria algo como: “Pequê?” E agora ela quer uma explicação para coisas inexplicáveis também. Muito interessante, pois esta pergunta demonstra interesse, curiosidade, atenção. Já pensou em quantas operações mentais precisamos para chegar neste ponto? É preciso: questionar, esperar a resposta, processar o que foi respondido, compreender que a resposta não foi suficiente para a dúvida expressa e se prontificar a ouvir o complemento da informação. Para uma criança com limitações de tempo de atenção, concentração e interesse disperso isso é muito, muito bom.

Fixação por objetos

Estamos tendo problemas com as obsessões por objetos. Na verdade não chega a ser um problema, mas quando ela se interessa pro alguma coisa (chave, celular, garrafinha de água, sapato) ela quer que a pessoa empreste para ela ou troque com ela por outro objeto. Quando isso não acontece – quase nunca é possível a troca – ela fica repetindo que quer comprar um igual, quer que eu compre, dorme e acorda falando nisso. Precisamos de um enorme jogo de cintura para fazer com que ela esqueça e o desgaste é tão grande que se for algo barato, por comodismo eu acabo cedendo e comprando.

Claro que isso não acontece todo dia e não fico fazendo a vontade de Milena assim a todo momento. Tenho plena consciência de que ela precisa entender certos limites naturais, entender que não tem que ter tudo o que deseja, mas em alguns momentos eu não estou com a paciência necessária para impor limites.

Limites e regras sociais

As pessoas com Autismo têm muita dificuldade para entender limites e regras sociais, quanto maior o grau de comprometimento, mais eles tem dificuldade em se colocar no lugar do outro. Então se ela quer a chave da tia, o argumento de que a tia não vai conseguir entrar em casa se não tiver a chave demora a fazer sentido para esta pessoa. Ela não entende as razões de ter que abrir mão de seus desejos em função da necessidade alheia. Mas tudo isso pode ser ensinado.

Com calma vou mostrando as situações para Milena, dou ênfase na reação das pessoas: “Olha ele está triste”, “Ela está brava por isso e isso”… E ela aos poucos vai olhando as pessoas e vai se interessando pelo que as outras pessoas estão sentindo.

Intervenções precoces

O melhor da Milena é a facilidade com que ela responde às nossas intervenções educativas e terapêuticas, está bem acostumada com isso. Como eu gostaria que todas as pessoas com Autismo tivessem a oportunidade de aprender ver o mundo traduzido de acordo com suas dificuldades. Eles sempre respondem muito bem.

Sobre o evento que divulguei aqui: foi perfeito. Dr. Walter nos ensinou muito. Peço a Deus que o ilumine sempre mais e mais e que ele volte logo.

Um beijo amigos do blog, obrigada por terem vindo!

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