6 anos

Literal

Milena:

– Vamos ligar vovó agora?

Eu que tinha acabado de fechar a porta e colocar a bolsa na mesa, respondi:

– Calma, a gente nem chegou em casa ainda!

– Não chegou? Tá brincando?

É assim que ela tenta entender nossas ironias e expressões que para ela não fazem sentido algum. Sempre nos pergunta: “Você está brincando?” Querendo nos dizer: “Isso não faz nenhum sentido para mim, só pode ser uma brincadeira, é isso mesmo?”

E vocês não imaginam como fazemos isso o tempo todo. E com palavras de duplo sentido, as coisas se complicam ainda mais. Tatá estava demorando a se aprontar e Milena a apressou:

– Tatá, cê ta fazendo?

– Estou arrumando o meu cabelo.

–  Seu cabelo tá quebrado?

Explicando regras sociais

É tãããão difícil explicar certas coisas. Na academia, ela perguntou:

– Posso entrar banheiro “hômis”?

Respondi que não, a gente não deve ver homens pelados e ela perguntou na hora: “Só papai?” Eu continuei explicando que na casa da gente é diferente, que a gente só pode ver o bumbum do papai, da mamãe, e ela apontou para a moça que tinha acabado de sair do chuveiro e estava nua na nossa frente: “Pode ver bubum dela?”

Me dá vontade de sumir nestas horas. Como explicar estas regras sociais? Onde hora podemos algo outra não. Estes critérios que mudam conforme o lugar ou o contexto não fazem sentido e as crianças com desenvolvimento normal vão incorporando isto no seu desenvolvimento, à medida que veem os outros comentando, observando os adultos, brincando de faz de conta.

As crianças com Transtorno do Espectro do Autismo precisam aprender toda essa sutileza que muitas vezes não tem uma explicação lógica, o que dificulta ainda mais a nossa posição de mediador do mundo.

Desenvolvimento atípico

Focando no lado bom: Milena se comunica cada vez mais e melhor e consegue aprender tudo o que ensinamos por mais que leve um tempo maior e necessite de muito mais empenho de nossa parte. Ela ainda é uma criança e por enquanto levantar a saia em público não chega a ser um escândalo e nos dá a oportunidade de reforçar estas posturas sociais.

Sei que em breve ela entenderá e irá saber como agir. Ainda que necessite de um constante e persistente treinamento, logo estaremos relatando aqui os lindos casos de uma verdadeira “lady”. Alguém duvida? 🙂

Beijos a todos!!!

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