Papel azul amassado feito bolinha em cima de um papel branco com um desenho de uma lâmpada.
5 anos, Diagnóstico

Diagnóstico precoce

Esta semana eu me reuni com algumas mães para falarmos de nossos filhos com Autismo. Faz parte daquela ideia da associação que ainda não está oficialmente fundada, mas que pelo menos a base está firmemente sendo formada com este grupo se reunindo uma vez por mês.

São histórias incríveis que me chamam a atenção pelo abalo que o nascimento de uma criança especial provoca na família, colocando à prova amores e amizades. Um número muito grande de casamentos se desfazem, mas os que ficam são os mais bonitos da gente ver. Por outro lado, as mulheres que estão desacompanhadas são tão dignas, tão fortes.

A dificuldade do diagnóstico

Sempre me impressiona a dificuldade do diagnóstico, que é de fato, uma via crucis como já ouvi algumas famílias nomearem. Ainda não existem exames que detectem o Autismo, por isso é necessário que o profissional conheça muito sobre o assunto, que não procure apenas pelos sintomas do autismo clássico, mas que tenha um olhar mais abrangente sobre todo o espectro autista. O diagnóstico precoce é muito difícil de se fazer quando os sinais não estão muito claros, pois, se não existe estereotipia motora ou comportamentos claros da pessoa com Autismo, os profissionais preferem diagnosticar um atraso global do desenvolvimento até que a idade traga mais clareza ao diagnóstico. Se a família não buscar intervenções específicas, o tempo perdido dificilmente será recuperado. Isso porque nos primeiros três anos de vida existem medicamentos específicos e terapias determinadas que surtirão maior efeito. Além de algumas coisas previsíveis poderem ser antecipadas, como o apoio para o surgimento da fala, que, geralmente, na criança com Autismo acontece com atraso, ou jamais acontece.

Temos muito o que falar de Autismo no Brasil. São muitos casos de pessoas sem diagnóstico que perdem tempo precioso por desconhecimento ou por não aceitar o Autismo em sua vida (como seu houvesse escolha). E somente a disseminação da informação irá ajudar quem não tem diagnóstico fechado.

Milena é surpreendente

Vamos falar de Milena? Ela arrancou o segundo dentinho debaixo, sendo que os permanentes já estavam nascendo antes do de leite amolecer. Por isso nem deu pra dizer que ela ficou “de janelinha”. Foi corajosa e não deu tanto trabalho. Mas tive que prometer um presente pra ela ontem na hora de arrancar e ela me cobrou hoje: queria maquiagem. Não sabe nem tem tanto prazer assim em se pintar, mas na escola viu as amigas se maquiando e queria pegar a das outras meninas.

Ela mereceu o presente, pois achei que arrancar este dente seria muito mais difícil do que foi. Mas assim que eu lhe mostrei o dentinho arrancado, olha o pedido inusitado que ela me fez:

– Pôe quí (apontando para a minha barriga).

– Para que colocar aqui Milena?

– Nenê, quica mamãe.

Me pediu um irmão a garotinha!!! Pode? E foi a segunda vez em uma semana! E essa associação do dente que parece uma semente com o nascimento de um bebê? Fiquei impressionada, pois embora ela tenha cinco anos e entenda tudo o que acontece à sua volta, para o seu nível de desenvolvimento é precoce e surpreendente.

Já pensou? Quatro filhos? Isso é que é um pedido difícil de atender! 🙂

Beijim procêis, se não der tempo de postar mais nada esta semana, um ótimo natal a todos. Muita reflexão, amor, saúde e um consumo consciente.

Obrigada pela visita.

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