Entre as dores e as delícias

Milena está muito falante e nem dá pra descrever a alegria que essa comunicação tem trazido às nossas vidas. Ela se revela como meu coração já dizia, uma menininha muito doce e sensível. Quando ela faz algo que não deve e eu a repreendo e vou limpando tudo na mesma hora, ela se afasta, fica quieta observando e quando termino ela diz: “pupúpa mamãe”…

E pede desculpas também quando, irritada, bate na gente. Mesmo que assim que desculpamos ela volte a bater… É que a agressão às vezes parece ser mais forte do que sua vontade, é um rompante, como se ela não conseguisse controlar ou pelo menos não conseguisse manifestar sua frustração de outra forma. O que faço nesta hora é ajudá-la a entender o que está sentindo, aí traduzo: “você está sentindo raiva, por isso ou aquilo ter/não ter acontecido, bate na almofada, joga esta bola forte no chão, rasga esse papel e essa raiva vai embora”. E fico bem calma, assim quase sempre controlo uma crise iniciante.

Bom demais ouvir sua voz doce dizendo coisas incríveis, sua memória é fantástica e sua capacidade de associar nos surpreende. Ela faz questão de chegar contando para quem ela encontra onde esteve, o que fez, quem ela viu. E as palavras estão cada vez mais inteligíveis.

Discriminação entre os coleguinhas

Esta semana aconteceu algo triste. Ao chegar com ela na escola cruzei com uma turminha que saía para o pátio. Os “carinhas” (4 – 5 anos) do final da fila ficaram apontando e dizendo: “olha a Milena ha, ha, ha”. Milena corre atrás de mim, Milena vem pegar, fala “Vevéla” (é como ela chama a “tia” Valéria sua professora) e riam fazendo chacota. Hoje o coleguinha da sala dela chegou junto conosco e veio atrás de mim dizendo: “sou da sala dela sabia? Ela fala engraçado, ela faz isso, ela faz aquilo”…

Eu sei que o diferente desperta nas crianças tais reações. Mas queria muito que elas fossem auxiliadas a ver o diferente de outra forma. Talvez elas também não entendam ou saibam lidar com os sentimentos que surgem ao ver alguém diferente, e por isso é nossa responsabilidade orientá-las.

Milena ainda não se dá conta da reação dos outros, mas sei que é inteligente o bastante para perceber à medida que amadurece e sei que isso vai magoá-la. Perceber isso causa um grande desconforto em meu coração, como se fosse algo que eu não pudesse evitar embora queira muito.

Um forte abraço e boa semana pra todos nós.

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