Sinais de autismo

Sempre falo aqui no nosso espaço sobre a grande dificuldade de diagnóstico das crianças que no Espectro do Autismo (como um prisma) estão nos níveis mais leves.

É um tal de é ou não é autista…

Em muitos momentos isto não importa, é só um rótulo. Mas para os pais que acabaram de saber ou reconhecer que seus filhos tem “alguma coisa” faz muita falta sim. Eu fiquei impressionada em saber, por exemplo, que andar na ponta dos pés não era exclusividade de minha filha, que era um sinal de Autismo, claro que acompanhado de outros sinais. Quando percebi que estes comportamentos da minha filha eram conhecidos pelos médicos e até, de certa forma, esperados no quadro dela foi sim, um alívio. Ela não era a única, há pessoas no mundo estudando isso pra tentar ajudar, há tratamento, posso compartilhar experiências com quem passou e passa por tudo isso. Entendem que um mundo novo se abriu à minha frente?

Como eu descobri o Autismo da Mi

Só que este diagnóstico, o tal rótulo, fui eu quem descobri. Os médicos, psicólogos, neuropediatras só diziam: “ela tem um transtorno invasivo, (ou global) do desenvolvimento”. Isso era vago e eu nem imaginava que isso já era um rótulo. Eu interpretava assim: “sua filha está atrasada no desenvolvimento e não sabemos a causa”. Essa era minha tradução.

Eu imaginava então que podia ser passageiro, ou que eu não estava estimulando, podia ser algo interno que estava impedindo-a de se desenvolver e que iria piorar com o tempo… E o monstro que não tem nome ia ficando muito feio na minha cabeça de mãe.

Quando entrei na internet e digitei Transtorno Invasivo do Desenvolvimento e vi escrito: uma condição ligada ao Autismo, um mundo se abriu. Entrei em blogs, sites pessoais e li a minha história contada por outros pais. EUREKA!!!!! O monstro finalmente ganhava nome e sobrenome. E quer saber? Não era tão feio quanto aquele que eu construía com minha imaginação.

 

Apenas um desenvolvimento atípico

Hoje em dia, minha menininha diferente se desenvolve com muito mais rapidez. Iniciar a fala foi o descortinar de um mundo novo pra ela. Quando ela fala alguma coisa e eu não entendo, ela procura outras palavras relacionadas ao que ela está querendo comunicar, é uma graça. Estou encantada.

Os sinais de Autismo ainda estão presentes, bem menos que antes (em número e intensidade), mas ela ainda anda na ponta dos pés, tem comportamentos inadequados – como bater e puxar cabelo das pessoas com quem convive de forma inexplicada -, tem estereotipias motoras – balança as mãozinhas e estica todo o corpo quando empolgada -, pula na ponta dos pés (incrível) quando feliz. Procura estar com crianças e no meio delas o tempo todo, mas parece não saber brincar, apesar de querer.  Não brinca de faz de conta. Não prende sua atenção por muito tempo, por isso está atrasada em relação aos coleguinhas da escola, pois não escreve, não reconhece letras e números.

Se olho para uma criança com desenvolvimento normal, ela está atrasada. Se olho para a maioria das crianças com Autismo com quem convivo e conheço, ela está bem demais.

E nessa jornada vou me livrando das expectativas, vou me fixando no hoje, procurando valorizar ao máximo as conquistas e menosprezar os desvios ou dificuldades.

Aprendendo muito vamos seguindo em frente.

Beijos

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4 Comentários

  • Responder GABRIELA Santos 27 de setembro de 2016 at 11:11

    Acha que os autistas não brincam ao faz de conta?

    • Responder Fausta Cristina 30 de setembro de 2016 at 20:46

      Olá Gabriela

      Não existe na verdade estas afirmações assim tão absolutas no autismo, o que existem são áreas de dificuldade que não se desenvolvem de forma tão apropriada ou tão espontânea como nas crianças com desenvolvimentos típico.
      Por isso ao invés de dizer: “Autista não olha nos olhos” eu sempre vou preferir dizer: “a pessoa com autismo pode ter dificuldade em olhar nos olhos”.
      Isso porque algumas pessoas com autismo olham nos olhos sem problemas, a maioria tem dificuldade em olhar nos olhos mas isso não significa que vai ser assim para sempre. Eles podem aprender, eles podem mudar, eles podem adquirir a habilidade…
      Quanto ao brincar de faz de conta: a maioria das crianças com autismo tem dificuldade em imaginar o que não quer dizer que não capazes, o que não quer dizer que todos sejam assim.
      Conheço crianças que aprenderam (como a minha filha por exemplo) conheço crianças que imaginam até demais (conheci um garotinho que tinha um amigo imaginário e tem autismo).
      Por continuar perguntando e lembre-se, eu não pretendo aqui dizer que o que sei e o que aprendo é verdade tá? Esse é o meu ponto de vista baseado nos meus cursos, nos livros, artigos e palestras e sobretudo na vivência com muitos autistas ao longo destes anos.
      Um abraço carinhoso.

  • Responder Carla 17 de junho de 2017 at 11:17

    Bom dia, Fausta. Meu filho de 1 ano e 9 meses está na fase de avaliações pela suspeita de Autismo. Eu estou muito desesperada, choro quase o tempo todo. Estou com muito medo do que aguarda meu filho. Eu o amo demais e não quero que ele tenha mais estes obstáculos, nesta vida tão difícil! Me ajude, por favor!

    • Responder Fausta Cristina 29 de junho de 2017 at 14:31

      Oi Carla

      Eu sei tão bem o que é essa expectativa!!!
      Respira Carla e não se cobre demais. Às vezes a gente só escuta que temos que ser fortes, que Deus vai nos ajudar, que somos guerreira e tudo o que a gente quer é ouvir que não faz mal chorar, se indignar, que o desespero e a dor são permitidos.
      Eles são permitidos e é importante você viver estes momentos com a sua verdade. Não a verdade dos outros. É o que você pensa e sente que importa agora.
      Posso te garantir, te dar certeza de que tudo vai ficar bem. Talvez aquela idéia de família comercial de margarina tenha que mudar, talvez você tenha muitos momentos ainda de choro e de cansaço, mas o mais importante é: tudo vai ficar bem! Diferente da mãezinha que hoje recebe o diagnóstico de uma doença terminal ou que recebe a notícia de que algo grave aconteceu com o filho, você tem seu filho para te alegrar, ele vai te trazer tantas alegrias que você não pode imaginar!!! E vai te ensinar um monte de coisas incríveis.
      Deixe a lágrima correr o quanto ela quiser mas o amor pelo seu filho vai te impulsionar para sair do lugar de tristeza e ir para o lugar de luta, você vai ver, isso vai acontecer e tudo vai começar a fazer mais sentido.
      Um abraço carinhoso para você. Conta comigo.

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