Mão de uma criança segurando um lápis de cor vermelho e pintando um desenho.
4 anos

Sinais de autismo

Sempre falo aqui no nosso espaço sobre a grande dificuldade de diagnóstico das crianças que no Espectro do Autismo (como um prisma) estão nos níveis mais leves.

É um tal de é ou não é autista…

Em muitos momentos isto não importa, é só um rótulo. Mas para os pais que acabaram de saber ou reconhecer que seus filhos tem “alguma coisa” faz muita falta sim. Eu fiquei impressionada em saber, por exemplo, que andar na ponta dos pés não era exclusividade de minha filha, que era um sinal de Autismo, claro que acompanhado de outros sinais. Quando percebi que estes comportamentos da minha filha eram conhecidos pelos médicos e até, de certa forma, esperados no quadro dela foi sim, um alívio. Ela não era a única, há pessoas no mundo estudando isso pra tentar ajudar, há tratamento, posso compartilhar experiências com quem passou e passa por tudo isso. Entendem que um mundo novo se abriu à minha frente?

Como eu descobri o Autismo da Mi

Só que este diagnóstico, o tal rótulo, fui eu quem descobri. Os médicos, psicólogos, neuropediatras só diziam: “ela tem um transtorno invasivo, (ou global) do desenvolvimento”. Isso era vago e eu nem imaginava que isso já era um rótulo. Eu interpretava assim: “sua filha está atrasada no desenvolvimento e não sabemos a causa”. Essa era minha tradução.

Eu imaginava então que podia ser passageiro, ou que eu não estava estimulando, podia ser algo interno que estava impedindo-a de se desenvolver e que iria piorar com o tempo… E o monstro que não tem nome ia ficando muito feio na minha cabeça de mãe.

Quando entrei na internet e digitei Transtorno Invasivo do Desenvolvimento e vi escrito: uma condição ligada ao Autismo, um mundo se abriu. Entrei em blogs, sites pessoais e li a minha história contada por outros pais. EUREKA!!!!! O monstro finalmente ganhava nome e sobrenome. E quer saber? Não era tão feio quanto aquele que eu construía com minha imaginação.

 

Apenas um desenvolvimento atípico

Hoje em dia, minha menininha diferente se desenvolve com muito mais rapidez. Iniciar a fala foi o descortinar de um mundo novo pra ela. Quando ela fala alguma coisa e eu não entendo, ela procura outras palavras relacionadas ao que ela está querendo comunicar, é uma graça. Estou encantada.

Os sinais de Autismo ainda estão presentes, bem menos que antes (em número e intensidade), mas ela ainda anda na ponta dos pés, tem comportamentos inadequados – como bater e puxar cabelo das pessoas com quem convive de forma inexplicada -, tem estereotipias motoras – balança as mãozinhas e estica todo o corpo quando empolgada -, pula na ponta dos pés (incrível) quando feliz. Procura estar com crianças e no meio delas o tempo todo, mas parece não saber brincar, apesar de querer.  Não brinca de faz de conta. Não prende sua atenção por muito tempo, por isso está atrasada em relação aos coleguinhas da escola, pois não escreve, não reconhece letras e números.

Se olho para uma criança com desenvolvimento normal, ela está atrasada. Se olho para a maioria das crianças com Autismo com quem convivo e conheço, ela está bem demais.

E nessa jornada vou me livrando das expectativas, vou me fixando no hoje, procurando valorizar ao máximo as conquistas e menosprezar os desvios ou dificuldades.

Aprendendo muito vamos seguindo em frente.

Beijos

Post anterior Próximo post

Você também vai gostar

Deixe seu comentário!

4 Comentários em "Sinais de autismo"

avatar
  Subscribe  
mais novo mais antigo mais votado
Me envie notificações de
GABRIELA Santos
Visitante

Acha que os autistas não brincam ao faz de conta?

Carla
Visitante

Bom dia, Fausta. Meu filho de 1 ano e 9 meses está na fase de avaliações pela suspeita de Autismo. Eu estou muito desesperada, choro quase o tempo todo. Estou com muito medo do que aguarda meu filho. Eu o amo demais e não quero que ele tenha mais estes obstáculos, nesta vida tão difícil! Me ajude, por favor!