Adorável Menina Estranha

Uma Estranha Menina é o título da autobiografia de uma das mais famosas autistas do mundo, a PhD em ciências animais Temple Grandin. Com um jeito realmente peculiar de ser, e uma brilhante mente que mais parece um disco rígido de última geração, ela nos encanta ao relatar em seu livro seu jeito especial de entender o mundo e as pessoas.

Capa brasileira do livro de Temple Grandin

Eu tenho certeza, a cada dia que passa, ser esse o termo que melhor define a minha princesinha. Ela é doce, terna e meiga, mas tem um jeito muito peculiar de ser. Se te encontra vai cumprimentar com um longo e repetitivo: “Oi”. A entonação com que fala já conquista. Mas o diálogo não vai acontecer, ela vai fazer perguntas com palavras ditas de forma característica (a mãe tradutora será de grande valia neste momento).

Dois lados da mesma moeda

Ela tem estado cada vez mais invocada em cabelos longos. Então ela irá pegar no seu cabelo se ele for longo. Perguntando se pode puxar, se pode pegar, se está de coque ou rabo, e seguirá perguntando, perguntando. Pode ser que te chame pra sentar, pode te entregar alguma coisa que tem nas mãos. Em algum momento você vai sentir que suas perguntas não são respondidas, que sua atenção está totalmente voltada para ela e que ela quer te dirigir, te usar como meio para lidar com as coisas e conseguir o que quer.

É claro, toda criança faz isso e toda pessoa com Autismo faz tudo que as outras pessoas fazem também só que de uma forma diferente, no momento diferente, com intensidade e ritmo diferente… Só convivendo pra saber, pois é difícil explicar. Mas todo ser humano diferente do padrão típico com que convivemos nos faz reavaliar nossa forma de comunicação, nossa capacidade de entender, nossa sensibilidade. Por isso é ao mesmo tempo desafiadora e enriquecedora esta experiência.

Eu tenho alternado muito os momentos de paciência e tolerância com os momentos de stress e irritação. Afinal, levar puxões de cabelo sem aviso não é fácil, e confesso envergonhada, que me tira do sério. Os tapas no rosto ou cabeçadas que doem também trazem à tona um impulso instintivo que resulta em uma bela palmada, nunca muito forte, porém como lidar com a contradição de dizer: “não podemos bater nas pessoas”?

É amigos, mais uma fase, não muito fácil, mas uma fase.

Na torcida para que passe logo, deixo o meu beijo de agradecimento por sua leitura. Um abraço da quase careca amiga, Cristina.

Boa semana prôceis!

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