4 anos, Comportamento, Conscientização, Desenvolvimento atípico, Família

Expressando sentimentos

Tive um final de semana bem diferente. Fui a Guaratinguetá/SP participar de um curso sobre Autismo. Conheci muita gente competente, aprendi muito e pude abraçar alguns amigos “virtuais” e comprovar o quão verdadeiras podem ser a amizade e a simpatia que nascem dos contatos iniciados virtualmente.

Milena está bem acostumada a ficar longe do pai que viaja praticamente toda semana para dois, três dias de trabalho fora. Ainda assim, ela reclama. Tem sentido cada vez mais. Pergunta: “mamãe, papai?”. Respondo que viajou e ela sempre pergunta: “vavão?” (de avião?). Eu respondo que sim (ela parece relacionar as viagens longas ao avião, viagens breves são feitas de carro). E depois ela finaliza: “vevê papai” (que eu traduzo quero ver o papai). Em alguns momentos ela fica enjoada, ou dá birras, chora sem motivo aparente e eu já sei que está sentindo falta do pai.

Comigo não foi diferente.

Novas conquistas

Apesar do pai levá-la para o seu lugar de passeio favorito, a casa da avó (Milena ama suas avós), ela perguntou o tempo todo pela mamãe. Quando falava comigo ao telefone estalava mil beijos em disparada e ao desligar chorava.

Mas o que mais me impressionou foi ver a expressão de emoção ao me ver estampada em seu rostinho. O sorriso e toda a face dizia da alegria que ela estava sentindo. Só neste momento me dei conta de que ela não se expressava assim, que esta era mais uma conquista. Ela sempre expressou seus sentimentos de formas variadas. Mas faltava “alguma” coisa que eu consegui ver na hora em que ela me viu. O abraço que demos foi mágico e pude ver que a dor de ficar longe dela por dois dias pôde ser compensada pela alegria de ver minha filha expressando emoções.

Aos que nunca passaram por situações assim, não puderam perceber a mágica do desenvolvimento infantil, que se dá de qualquer forma quer prestemos ou não atenção. Mas para quem viu um filho com este processo alterado sabe quanto valor tem uma frase, o apontar de um dedo, o encaixar um lego. Mesmo o brincar fantasiando que um toquinho de madeira é um carro ou que a boneca come o que (não) está na colher.

Como a vida é maravilhosa. E que bom poder presenciar milagres todos os dias.

Existem pessoas que acreditam em milagres.
Mas existem aquelas para quem todas as coisas são um milagre.

(Desconheço o autor)

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