Autoretrato de Élisabeth Vigée Le Brun e sua filha (1789)

Quanto de nossa energia doamos aos nossos filhos?

Acredito que, em certos momentos, doamos até o que aparentemente não temos. Sabe aquele momento em que você se sente exaurido, como se qualquer esforço fosse te fazer desmaiar? E você só pensa em descansar e relaxar… E se nesse momento, chegam duas mãozinhas delicadas e pegam você e te solicitam total atenção e dedicação?

Seria bom se você dissesse apenas: “Vá brincar por dez minutos até mamãe se refazer” (ok, mas minha filha não consegue brincar sozinha). Você poderia inventar algo, colocar um DVD, um canal de programas infantis, quem sabe? (ok, mas minha filha não assiste a TV). A única alternativa é se deixar levar, sentar e inventar algo que irá prender-lhe a atenção por alguns minutos; Depois levantar-se quantas vezes conseguir e andar pela casa com ela até se cansar e, se por acaso você se recusar a fazer isso, não esperar menos que um tapa e um puxão de cabelo (nova fase: bater e puxar cabelo) ou gritinhos bem estridentes nos ouvidos por um longo tempo…

Se você não tem um filho com transtorno do espectro autista pode estar pensando: “péra aí, isso é uma mãe ou uma banana? Não se educa uma criança com Autismo?”

A resposta é sim e sim, sou uma banana e uma criança com Autismo pode e deve ser educada, mas no seu tempo, na sua especificidade. Sem sobressaltos ou fortes imposições. Você pode até dizer: “isso não!” Mas deve ter algo para dizer: “isso sim”. O “não” pelo “não” vai te trazer problemas o dia todo. Como agressões, isolamento, auto-agressão e um choro que vai azedar suas próximas horas.

É por isso que me sinto às vezes tão fraca e cansada. Em Uberlândia, não posso andar duas quadras e chegar na praia, soltar minha pequerrucha na areia e na água bendita do mar… Então, dentro do apartamento, mãe e filha convivem numa simbiose constante e confesso, um tanto quanto desgastante.

Retornos recompensadores

O melhor de toda esta história é que a dedicação tem preço mas tem um retorno muito, muito maior. Hoje aofilhote de cachorro latindo energia levar Milena para a escola, que é pertinho de casa, um cachorro latiu por trás de um portão assim que passamos e minha linda exclamou espontaneamente: “te tuto au au!” (que susto au au). Uma frase formada dentro do contexto e instantaneamente… Não tem preço.

E ainda, na sexta-feira íamos para a escola de carro (ela adora) e na porta percebi que tinha esquecido a chave do carro. Falei pra ela que me esperasse buscar as chaves, mas respondi uma pergunta do meu filho e esqueci o que ia fazer, voltei e disse: “vamos?”. Ela olhando diretamente pra mim:

– Fáve, carro!

Só então eu me lembrei das chaves. NÃO É DEMAIS!!!!????

E assim vamos caminhando. Hora energizada pelos resultados de nosso investimento, vendo nossa filhinha chegando onde não sabíamos ao certo se chegaria. Hora totalmente exausta por me ver aprisionada no mundo de interesses restritos de minha pequena, tentando sair de lá com ela, me sentindo sufocada nesta prisão…

Sobe e desce, oscilação entre extremos e haja coração.

Beijos iluminados a você, ilustre visitante e leitor paciente. Uma boa semana!

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