altos e baixos do autismo

Vitórias e crises

Definitivamente, não gosto de ficar muitos dias sem postar. Mas, na semana passada, levei Milena para São Paulo. Fomos e voltamos no mesmo dia, mas ainda assim, preparar a pequena viagem significou um dia a menos na agenda.

Fomos até a Universidade Mackenzie, conhecemos Fernanda Orsati (linda pessoa) que está fazendo sua pesquisa de mestrado na área dos transtornos do desenvolvimento, tentando estabelecer critérios diagnósticos para o diagnóstico precoce. A causa me animou e, mais ainda, a possibilidade de ter outro parecer vindo de uma equipe multidisciplinar gabaritada e competente. Quando o relatório ficar pronto (temos que voltar lá outra vez) eu conto para vocês.

Agradeço a todas as visitas e aos comentários carinhosos. Os comentários são a motivação que preciso para driblar a falta de tempo e vir aqui contar tanto da nossa vida e do nosso aprendizado. Milena está falante, dialogando, e isto me fascina. Não consigo descrever minha emoção em ver minha filha elaborando sua comunicação e ampliando sua verbalização. Só quem vive a experiência pode avaliar o quanto é bom.

As birras e crises continuam

Eu também estou sendo testada na paciência como nunca. Milena está exigindo cada vez mais. Como toda criança ela está querendo atenção exclusiva. Só que os caminhos para mostrar a ela os limites não existem. É desbravar a floresta, abrindo o caminho a facão!

criança fazendo birra vitórias e crises

Não adianta dizer não. Não resolve apenas explicar. Não ter o que quer na hora que quer parece que causa nela uma dor. Essa dor é tão forte que ela pode até morder seu bracinho ou bater em sua cabeça ou até mesmo apertar um machucado que está cicatrizando… Nada parece doer tanto quanto o não.

Nestas horas uma crise acontece e a paciência precisa surgir em meio aos gritos, tapas e objetos arremessados e estilhaçados. Graças a Deus já superei o impulso de bater (educação herdada), pois, principalmente no caso da minha caçula, só desencadeia outros comportamentos agressivos. Além do mais, bater é coisa do passado. Essa geração internet não aceita imposições, e isso já vem do berço.

Desenvolvimento em câmera lenta

Eu tenho me concentrado muito nas vitórias, no quanto ela está se desenvolvendo. Tenho agradecido muito a plantinha crescendo em camera lentaDeus. Quanto às birras, vou me dar o tempo de entender todo o processo para intervir melhor. Não serei precipitada e nem irei me desesperar. Vai passar. Tanta coisa já passou, vou conseguir colocar os limites, mas sei que vai ser mais lento.

O psicólogo que cuidou da Milena ainda bebê nos disse uma vez: “Tudo o que acontece com outras crianças, acontece com sua filha, mas com ela é como assistir a um filme em câmara lenta. Os detalhes são percebidos e valorizados e o que passa rápido nos outros, na sua filha vai durar o tempo que ela precisa”.

Como já escrevi muito, vou parando por aqui. Que todos tenhamos uma semana iluminada e um ótimo feriado.

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